Instituto firmou todos os convênios durante gestão do PSB no ministério

Entre 2008 e 2010, contratos foram fechados com Ciência e Tecnologia; entidade beneficiou-se de emendas parlamentares

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2012 | 03h07

O Instituto Muito Especial teve sua era de ouro na gestão do ex-ministro Sérgio Rezende (PSB) na Ciência e Tecnologia. Entre agosto de 2008 e dezembro de 2010, a entidade firmou todos os convênios com a pasta. Alguns vigoraram até o início deste ano, na administração de Aloizio Mercadante (PT-SP). A entidade beneficiou-se de emendas parlamentares de Pernambuco, principal base política da legenda, e Rio de Janeiro, onde tem sede.

O ex-deputado Edgar Moury (PMDB-PE) destinou nada menos que R$ 6,5 milhões à entidade. Já a ex-deputada Solange Amaral (PSD-RJ) enviou R$ 4 milhões. O atual vice-governador da Paraíba, Rômulo Gouveia (PSD-PB), mandou mais R$ 2,2 milhões.

Padrinho político. Presidente do Muito Especial, o engenheiro Marcus Robertson Scarpa mantém estreitas ligações com alguns dos padrinhos políticos de sua entidade.

O primeiro-secretário da Câmara, Eduardo Gomes (PSDB-TO), direcionou em 2009 e 2010 R$ 600 mil a convênios da instituição. Uma das filhas do tucano, Carla Mirah de Araújo Gomes, figurava na mesma época como sócia de Scarpa na Green Publicidade e Marketing.

Apesar das irregularidades no convênio, o Instituto Muito Especial continua apto a receber dinheiro do governo, segundo o Portal da Transparência. Até a parceria bancada por emenda do deputado Fernando Nascimento (PT-PE), objeto de parecer da AGU que apontou fraudes, aparece como "adimplente".

Sem relação. Procurado, Eduardo Gomes explicou que a destinação de verbas para o Muito Especial não tem relação com a sociedade mantida por uma de suas filhas com o presidente da entidade e que o apoio foi motivado pelo trabalho do instituto. Gomes diz que Carla Mirah foi dona da empresa de publicidade de maio a dezembro de 2010, quando saiu da sociedade.

Ele sustenta que a filha não chegou a desenvolver quaisquer atividades na agência. O ex-deputado Fernando Nascimento alegou ter recebido pedido de um grupo de deficientes para apoiar a entidade e que o fez depois de receber boas referências no próprio ministério. "Não conheço ninguém lá. Aqui em Pernambuco, os serviços foram prestados."

A ex-deputada Solange Amaral não respondeu aos questionamentos do Estado, enviados por e-mail. Por telefone, disse não se recordar das emendas, "muito antigas". Edgar Moury não foi localizado na sexta-feira. / F.F. e A.J.

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