Inflação deixa o povo inquieto, diz FHC

Na festa dos 25 anos do PSDB, em Brasília, ex-presidente diz que crença na democracia depende de 'direção econômica bem estabelecida'

DÉBORA BERGAMASCO , DAIENE CARDOSO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2013 | 02h04

Durante evento na Câmara dos Deputados sobre os 25 anos do PSDB e 19 anos do Plano Real, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou seu discurso para criticar a política econômica do governo Dilma Rousseff. Segundo ele, não se assegura a crença na democracia e não se conseguem avanços concretos se não houver "uma direção econômica bem estabelecida". E o termômetro, advertiu, "é a inflação".

Quando a inflação começa a inquietar, prosseguiu o ex-presidente, "o povo se inquieta". "Ele sente que o que está montado começa a desmoronar." A advertência foi dada um dia após manifestantes ocuparem a cúpula do Congresso, na onda de protestos que tomou o País.

O ex-presidente deu um conselho à sua adversária política: "A presidente tem que abrir os olhos." Para ele, o País vive hoje um momento de insatisfação motivado pela inflação, "pela carestia que está aí". Indagado se Dilma vive hoje um mau momento, ele respondeu: "Veja a cara dela, pela cara ela está um pouco aflita, né?".

O tucano ofereceu outra dica, do alto dos seus 82 anos, comemorados ontem: "Não se aflija, as coisas podem melhorar. Como? Trabalhando, trabalhando e corrigindo os erros". Ele afirmou ainda que "uma nova geração ganha as ruas" e que é preciso prestar atenção neste movimento que faz o País "vibrar".

Enfatizando que hoje o dinheiro não chega "tão bem" ao bolso do brasileiro, FHC disse que o Brasil está "se transformando para melhor", mas "nós queremos mais", ainda é preciso "melhorar a vida do povo" nas áreas de saúde e educação e dar uma perspectiva de futuro à população. E conclamou: "Está na hora de, quem sabe, uma virada no Brasil para melhor?".

Reconhecimento. No evento, Fernando Henrique disse que seu partido fez muito pelo País e que a exposição serve para reconhecer esse papel. "Nós só queremos que a nossa parte seja reconhecida", ressaltou. De acordo com ele, se o PSDB conseguiu fazer "muitas coisas", não as fez sozinho.

O presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), afinou sua fala com a de Fernando Henrique. Para ele, foi seu partido que deu início a mudanças estruturais no Brasil, com o advento "da estabilidade econômica, com início dos programas de transferência de renda, com as privatizações essenciais à modernização da economia brasileira e a Lei de Responsabilidade Fiscal". Já os avanços da gestão do ex-presidente petista Lula, segundo o senador mineiro, aconteceram, "mas no leito dessas mudanças ocorridas no governo do Fernando Henrique".

Aécio acrescentou: "Nós, diferentemente do PT, não temos dificuldade de reconhecer méritos nos nossos adversários e o presidente Lula teve dois grandes méritos: manter a política macroeconômica herdada do governo anterior e o segundo adensando os programas de transferência de renda. Hoje há um sentimento claro de que o Brasil precisa de um novo rumo, de um novo direcionamento", completou o provável candidato tucano à Presidência no ano que vem.

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