FABIO MOTTA|ESTADÃO
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Indio apoia Crivella e exige saída de Garotinho

Candidato derrotado à prefeitura do Rio, deputado do PSD condiciona aliança à exclusão de ex-governador de campanha e eventual governo

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2016 | 23h40

RIO - Candidato à prefeitura do Rio pelo PSD no primeiro turno, o deputado federal Indio da Costa selou nesta quarta-feira, 12, aliança com Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado pela Igreja Universal do Reino de Deus que lidera as pesquisas de intenções de voto na cidade nesta segunda fase das eleições municipais. O apoio, no entanto, foi condicionado à exclusão do ex-governador fluminense Anthony Garotinho (PR) da campanha e da equipe de um possível governo de Crivella, caso seja eleito. 

“O número um é que não haverá a participação do ex-governador Anthony Garotinho no governo municipal nem apoio a qualquer cargo que venha a disputar em 2018”, afirmou Indio.

Na sede do PSD, Indio entregou uma carta a Crivella com as suas exigências. Católico, o deputado federal impôs que a Igreja Universal não estipule a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas. 

Apesar das divergências religiosas, Indio disse ter mais proximidade com Crivella do que com o que considera “radicalismo” da esquerda de Marcelo Freixo, candidato à prefeitura do Rio pelo PSOL. 

Em resposta, Crivella prometeu que, se eleito, não vai aparelhar o Estado com lideranças da Igreja Universal. “Também não há nenhum compromisso, nem houve antes com relação ao PR, com relação ao ex-governador Anthony Garotinho. Espero que esse assunto se encerre. Pode ser que não se encerre apenas no discurso desesperado do Freixo”, afirmou.

A assessoria de imprensa de Anthony Garotinho foi procurada pela reportagem, mas, até a conclusão desta edição, o ex-governador não havia se manifestado sobre as condições impostas por Indio.

Resistência. Último candidato derrotado a se posicionar no segundo turno, Indio contou ter resistido à aliança com o PRB em um primeiro momento, mas que, por fim, avaliou que a “proximidade dos programas (dos dois partidos) é enorme”. 

Além de pedir a transferências dos 9% de votos que recebeu na primeira fase da eleição, Indio convocou os eleitores dos demais candidatos derrotados – Pedro Paulo (PMDB), Carlos Osório (PSDB) e Flávio Bolsonaro (PSC) – a formar uma aliança de centro e votar em Crivella. “O centro (político no Rio) esteve dividido (no primeiro turno). E quem representa o centro neste momento é o Crivella”, afirmou Indio.

Em campanha ao lado do vereador mais votado em São Paulo, Eduardo Suplicy (PT), Freixo rebateu a acusação de que a esquerda carioca é radical do ponto de vista ideológico e minimizou o caráter religioso das eleições do Rio. “Não estou numa cruzada santa. Estou numa disputa pela prefeitura do Rio”, declarou Freixo. 

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