Indiciado é avalista de aluguel de chefe da AGU

José Weber, suspeito de integrar grupo que vendia pareceres de órgãos públicos a empresas, é amigo de Luís Adams

O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 23h49

O ex-advogado-geral-adjunto da União José Weber Holanda, indiciado por corrupção passiva pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro, é o avalista de um contrato de aluguel da casa em que vive o ministro Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União (AGU).

Na prática, Weber poderia ser considerado responsável pelas dívidas de Adams, caso ele deixasse de fazer algum pagamento ao proprietário do imóvel. O ministro da AGU mora na quadra QI 9 do Lago Norte, em Brasília.

A informação foi divulgada ontem à tarde no blog do jornalista Gerson Camarotti, no site G1. A AGU confirmou o fato e disse que Adams pediu à imobiliária a substituição de Weber como avalista depois do escândalo.

A participação de Weber em um contrato de aluguel de Adams revela uma proximidade entre o advogado-geral da União e seu adjunto - que foi exonerado no dia 26 de novembro depois que a Polícia Federal o acusou de beneficiar empresas de aliados de Paulo Vieira, apontado como chefe do esquema desmantelado na Operação Porto Seguro.

Em nota enviada ao Estado, Adams informou que chegou a frequentar a casa de Weber, mas alegou que a relação entre os dois era "profissional". "Eu conheci o Weber trabalhando na AGU. Durante esses dez anos de convivência, cheguei a frequentar a casa dele em alguns momentos. No entanto, na maioria das vezes a minha relação com ele era técnica e profissional", afirmou o ministro.

Anteontem, no Senado, o advogado-geral da União disse que confiava em Weber, mas afirmou que se sentiu traído depois que foi descoberta a participação de seu adjunto no esquema de fraude de pareceres técnicos. "Eu levei um técnico, uma pessoa que acreditava que cumpria uma função, mas infelizmente ele quebrou a confiança e a quebra da confiança é algo que não se recompõe", afirmou Adams.

A Polícia Federal acusa Weber de ter recebido dinheiro e duas passagens de navio do grupo de Paulo Vieira para beneficiar processos do ex-senador Gilberto Miranda na AGU. O ex-advogado-geral-adjunto nega que tenha recebido propina e diz que pagou pelos bilhetes.

Weber teria mantido contato com Paulo Vieira de abril a novembro de 2012, segundo as investigações. Ele teria produzido pareceres que fundamentariam dois empreendimentos de Miranda em terrenos que pertenciam à União, em São Paulo.

De acordo com a PF, Weber teria interferido em um processo da Secretaria de Patrimônio da União sobre a Ilha de Cabras, em Ilhabela (SP). O objetivo era permitir que a AGU fizesse uma análise jurídica para que Miranda mantivesse a ocupação das terras. O ex-senador construiu uma mansão e um heliporto na ilha.

A investigação também afirma que Weber ajudou Miranda na aprovação do projeto de um complexo portuário de R$ 2 bilhões na Ilha de Bagres, em Santos (SP).

Em audiência no Senado, anteontem, Adams disse que Weber tinha a função de encaminhar decisões dos setores técnicos da AGU, mas não tinha o poder de interferir nelas ou mudar seu conteúdo sem o crivo dos demais dirigentes do órgão.

O advogado-geral da União disse também que 40 processos conduzidos pela instituição com o crivo de Weber serão revistos e, se revogados, terão impacto jurídico capaz de alterar projetos e decisões do governo federal.

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