Índices refletem bem-estar do eleitor, afirmam analistas

A alta aprovação da presidente Dilma Rousseff se deve, segundo analistas políticos, ao sentimento de bem-estar da população, num período de alto nível de emprego e elevada expectativa de consumo. "O principal ponto da pesquisa é que o brasileiro está muito bem, obrigado, e a pesquisa é um indicador de bem-estar", resumiu o cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando Abrucio.

DAIENE CARDOSO, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2012 | 03h07

"Enquanto o desemprego e o consumo tiverem índices altos, a popularidade estará alta", avaliou Carlos Melo, do Insper. "Se o desemprego fosse alto e a expectativa de consumo baixa, não teria faxina ou atributo pessoal nenhum capaz de segurar essa aprovação", acrescentou.

O cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, atribui parte desse prestígio à imagem positiva de Dilma por suas disputas com a própria base de governo. "Essa imagem positiva decorre em parte do aquecimento do mercado de trabalho, mas tem sua explicação central na imagem de que Dilma tem baixa tolerância com o Congresso."

Abrucio e Melo também batem nessa tecla. "Quando o Congresso tenta emparedar a presidente e ela age de maneira sóbria e séria, a população fica do seu lado", avalia o primeiro. "Os eleitores olham para o Congresso e veem chantagem. Um Congresso que não consegue se autopunir", concorda Melo.

Nesse cenário, Abrucio sustenta que as denúncias envolvendo o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido), agravam esse contraste. "E o caso Demóstenes não se restringe ao senador. O caso dele afeta ainda mais a imagem do Congresso", diz ele.

Chamou a atenção dos analistas, na pesquisa, o alto índice de insatisfação dos pesquisados com a carga tributária: 65% informaram que a consideram muito alta. "Isso é recente e tem a ver com a ascensão da classe C, que se deu conta que paga mais impostos", disse Abrucio. "Hoje, com a carteira assinada, o brasileiro vê os descontos no contracheque", apontou Melo. Este acrescenta que a questão dos impostos se tornou assunto recorrente nos discursos de Dilma - ela já se deu conta que isso pode interferir em sua popularidade.

"Há uma tendência, até 2014, de Dilma cortar mais impostos mirando os novos eleitores", prevê Abrucio.

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