Índices mostram estabilidade institucional

O Brasil parece uma ilha de estabilidade, em relação à Argentina, quando se compara a evolução do grau de confiança nas instituições nos dois países.

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2012 | 04h33

Enquanto os índices da Argentina variam aos solavancos, os do Brasil evoluem de maneira mais suave - um indicador da ausência de crises ou acontecimentos que mobilizem a opinião pública numa ou noutra direção.

É possível comparar a percepção de brasileiros e argentinos sobre distintas instituições porque o Ibope usa a mesma metodologia em pesquisas sobre o assunto, ano a ano, desde 2009.

O Índice de Confiança Social sobre o governo do Brasil, por exemplo, era de 53 (em uma escala até 100) há quatro anos, mesmo patamar em que se encontrava em junho deste ano - data da última pesquisa feita nos dois países. No período, a maior variação foi de 7 pontos, entre 2010 (59) e 2011 (52).

Já no país vizinho, a confiança no governo saiu de um nível bem mais baixo em 2009 (29), dobrou nos dois anos seguintes, chegando a 60, e desabou 18 pontos em 2012, chegando a 42.

As opiniões dos brasileiros sobre os partidos políticos e o Congresso Nacional praticamente não variaram nos últimos quatro anos. No caso dos argentinos, os dois itens tiveram um salto próximo a 10 pontos em seus índices de confiança em 2011, mas voltaram a cair para o patamar de origem em 2012.

Há outra diferença entre brasileiros e argentinos: os primeiros mantêm praticamente estável o nível de confiança no governo, mas confiam cada vez menos nos serviços prestados por ele. Desde 2009, por exemplo, houve queda de 7 pontos no índice de confiança dos brasileiros em relação ao sistema público de saúde (de 49 para 42). O mesmo ocorreu em relação às escolas públicas (de 62 para 55).

Já os moradores do país vizinho, cujo grau de desconfiança em relação ao governo é bem maior, estão bem mais satisfeitos com a educação (aumento de 63 para 69 pontos) e a saúde públicas (de 58 para 64).

Alvo de ataques frequentes do governo da presidente Cristina Kirchner, os meios de comunicação argentinos mantiveram seu nível de confiança praticamente intocado nos últimos quatro anos (57 em 2009, 58 em 2012). No Brasil, esse índice caiu nove pontos em quatro anos, de 71 para 62. / D.B. e J.R.T.

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