Imagens 'perdidas' de guerrilheira do Araguaia são achadas em arquivo

Um álbum de seis fotografias da militante Maria Lúcia Petit, morta em 16 de junho de 1972, em Pau Preto, no Araguaia, junta-se agora ao acervo conhecido da aventura armada que enfrentou a ditadura naquela região.

O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2012 | 03h03

As fotos do corpo de Maria Lúcia, então com 22 anos, foram localizadas pelo Estado no Arquivo Nacional, em Brasília. Estavam no anexo solto de um documento, ainda desconhecido, do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI).

Com a nova Lei de Acesso à Informação (LAI), o acesso à pasta tornou-se possível. As fotos aparecem numeradas, indício de que faziam parte de um álbum maior. Até agora, conhecia-se apenas um close do rosto de Maria Lúcia, divulgado pelo jornal O Globo, em 1996.

Professora primária em São Paulo, Maria Lúcia tinha ido para a região do Araguaia com os irmãos Jaime e Lúcio. Foi capturada em uma emboscada dois meses depois de o Exército ter chegado à região. Nessa primeira fase dos combates, o Exército mantinha os prisioneiros vivos e enterrava os mortos em cemitério público. Maria Lúcia foi enterrada no cemitério de Xambioá, na margem direita do Araguaia, no atual Tocantins.

"O importante é localizar os corpos. Queremos aqueles arquivos que indicam onde os corpos estão, para os devolvermos às famílias, defende Laura Petit, irmã de Maria Lúcia.

"A pergunta que faço é exatamente esta: por que só aparecem documentos de pessoas já localizadas? Por que só Maria Lúcia? Queremos o cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, e que se faça justiça", insiste Laura, enfatizando que sua irmã morreu em 1972 e a família demorou 24 anos para poder sepultá-la.

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