‘Imagem do Supremo fica arranhada’, afirma historiador da USP

Entrevista com Boris Fausto, historiador

O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2013 | 02h07

Para o historiador Boris Fausto, a admissão dos embargos pelo Supremo produz "incertezas" e "decepção" às pessoas que lutaram pela conclusão do julgamento nessa etapa.

Qual o impacto político da decisão sobre os embargos?

O julgamento em seu conjunto foi muito positivo, mas esse final produziu incertezas, dúvidas e decepção a pessoas que lutaram pela conclusão do processo a essa altura. E, como houve a intervenção de ministros que não participaram do primeiro julgamento, houve problemas nessa fase.

Quais problemas?

Coube à presidente da República praticamente indicar juízes. Naturalmente ela iria buscar alguém que tivesse pontos de vista que se coadunassem com a perspectiva do Planalto. Não estou dizendo que houve pressão, que os novos ministros não se comportaram bem. Mas é claro que houve uma nomeação de ministros que se coadunavam com aquilo que pensava o Planalto. Isso é problemático.

Como sai o STF dessa etapa?

Na opinião pública, a imagem do Supremo fica arranhada. Mas a gente tem de tomar em consideração o conjunto da atividade, sem personalizar, e ver que isso seria injusto. O Supremo teve uma atuação lenta, mas muito eficaz, num processo que quando começou todo mundo via com muito ceticismo.

A admissão dos embargos decepciona o sr.?

Não, porque já esperava. Vejo com decepção que tenhamos uma lei que inteiramente contrária à nossa realidade social demográfica, que expulsa das instituições pessoas que aos 70 anos tinham condições de fazer um papel importante no serviço público.

Eleitoralmente, quais as consequências da continuidade?

O contágio haverá, mas não é imenso. Outros coisas vão influir. Emprego, inflação... Essas coisas do mundo real, que implicam diretamente a vida da população pobre.

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