Igreja diz que PRB fomenta discórdia

Católicos criticam presidente do partido e coordenador de campanha de Russomanno

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2012 | 10h17

A Arquidiocese de São Paulo, entidade máxima da Igreja Católica na capital paulista, entrou no debate da eleição municipal com ataques ao PRB, partido de Celso Russomanno, líder nas pesquisas de intenção de voto. Uma nota de repúdio redigida a pedido do arcebispo d. Odilo Scherer coloca dúvidas sobre a conduta do PRB em caso de vitória eleitoral e classifica o partido como "manifestadamente ligado à Igreja Universal".

O texto dos católicos ataca diretamente o presidente do PRB e coordenador da campanha de Russomanno, Marcos Pereira, pastor licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus

A nota divulgada ontem pela Arquidiocese acusa Pereira de fomentar a discórdia e fazer críticas destemperadas aos católicos. "Lamentavelmente, se já fomentam discórdia, ataques e ofensas sem o poder, o que esperar se o conquistarem, mesmo parcialmente, pelo voto? É pra pensar!", diz o texto.

A nota da Arquidiocese critica especificamente um artigo escrito e publicado no blog de Pereira em maio de 2011. O texto afirma que a Igreja Católica tem o "controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal" e a responsabiliza indiretamente pela distribuição de kits de combate à homofobia nas escolas brasileiras. "Estamos vivendo a política da catequização da Igreja de Roma e, por isso, certamente, estamos vivendo os últimos dias", dizia o artigo de Pereira. "Simplesmente nos impõem a ditadura das minorias."

Apesar de estar no ar há mais de um ano, o artigo de Pereira só entrou na campanha eleitoral esta semana, quando um usuário do Twitter passou a publicá-lo na rede e enviá-lo a jornalistas. O usuário é identificado como José Alves e postou sua primeira mensagem há apenas quatro dias.

Outro momento. Segundo Pereira, o texto é antigo. "Era uma época em que eu estreava o blog e que vivíamos um momento específico, que era o possível lançamento do famigerado kit gay. Querem ressuscitar agora uma coisa do passado que não reflete o momento atual que o País vive", afirmou. Disse ainda que o artigo não foi um ataque à Igreja. "Foi uma opinião sobre uma questão específica naquele momento."

Pereira também destacou que Russomanno é católico e brincou ao comentar parte da nota, que diz que integrantes da campanha "fomentam a discórdia". "Russomanno é católico. É ele que vai estar no poder, se vencer. E, portanto, não oferece nenhum risco, já que é católico".

Integrantes das campanhas de José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), adversários de Russomanno, já esperavam uma reação da Igreja Católica que apontasse as "contradições" do candidato do PRB, devido à ligação de integrantes do partido com a Igreja Universal. Petistas e tucanos se encontraram recentemente com o arcebispo de São Paulo, mas negam que tenham fomentado a reação. / BRUNO BOGHOSSIAN, BRUNO LUPION e JULIA DUAILIBI

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