Idade de Frejat e Rollemberg causa polêmica nas eleições no Distrito Federal

Frejat afirmou que espera 'empatar nos votos e vencer por idade' já que é quase 30 anos mais velho que Rollemberg; a legislação prevê como critério de desempate a idade dos candidatos

JOÃO VILLAVERDE e LAÍS ALEGRETTI , O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2014 | 14h49

Os dois candidatos ao governo do Distrito Federal votaram ainda pela manhã. A idade mais avançada do candidato Jofran Frejat (PR) gerou polêmica. Frejat votou por volta das 10h30 e declarou que espera "empatar nos votos e vencer por idade", em uma referência à legislação eleitoral, que prevê como critério de desempate a idade dos candidatos. Com 77 anos e em segundo lugar nas pesquisas, Frejat é quase 30 anos mais velho do que seu rival, Rodrigo Rollemberg (PSB).

Rollemberg disse que tem "muito respeito pelas pessoas, independente da idade", depois de ser questionado sobre a afirmação do adversário. "Eu tenho o maior respeito pelo meu adversário, tenho muito respeito pelas pessoas, independentemente da idade. Tenho muito respeito pelos idosos, e nós estamos agora diante da vontade da população." 

Rollemberg afirmou estar confiante na vitória e prometeu, se eleito, começar o mandato "radicalizando na transparência". Rollemberg ainda criticou o "expediente sujo" da campanha adversária. "Eu quero lamentar que nossos adversários tenham usado ao longo da campanha de expediente sujo, de boatos, mentiras, calunia, manipulações. Isso não ajuda o processo democrático e desqualifica a política", afirmou. 

Em um debate que ocorreu há dez dias, Rollemberg atacou Frejat e disse: "É um absurdo que no final da sua vida você esteja mentindo". Em seguida, Frejat respondeu: "No fim da vida? Por quê? Você vai me matar?".

Depois de votar em uma escola da Asa Sul, em Brasília, Rollemberg afirmou ter confiança na vitória. "Estou confiante, mas com muita humildade, serenidade, e esperando o resultado da vontade da população", disse. A pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que Rollemberg seria eleito governador do DF com 55% dos votos válidos. Na pesquisa anterior, do dia 23 de outubro, o candidato tinha 57% das intenções de votos. O candidato Jofran Frejat (PR) subiu na pesquisa de 43% para 45% das intenções de votos. 

"Vamos iniciar radicalizando na transparência, criando na primeira semana um conselho de transparência composto por entidades da sociedade civil, vamos abrir a senha do Orçamento para que cidadãos do Distrito Federal possam acompanhar a execução orçamentária. Hoje apenas os deputados distritais têm esse acesso", prometeu. "Vamos encaminhar à Câmara Legislativa um conjunto de propostas que vão melhorar a gestão, vão combater de forma rigorosa a burocracia e a corrupção. Vamos investir muito na qualidade da gestão", completou. 

Rollemberg votou no fim da manhã em uma escola da Asa Sul, em Brasília. Em seguida, foi para Ceilândia, onde acompanhará o voto do seu candidato a vice-governador, Renato Santana. No período da tarde, o candidato do PSB acompanhará a apuração dos votos com a família, na Asa Sul. Carioca, o senador Rollemberg já foi deputado distrital, secretário de Turismo, Lazer e Juventude do Distrito Federal e deputado federal.

No primeiro turno das eleições, o eleitor do Distrito Federal rejeitou a reeleição do atual governador, Agnelo Queiroz (PT), que, com apenas 20,07% dos votos válidos, ficou fora da disputa do segundo turno. Permaneceram na corrida eleitoral para o Palácio do Buriti Rollemberg, com 45,23% dos votos válidos, e Frejat, com 27,97%. 

Eleição presidencial. Questionado sobre seu voto para presidente da República, Frejat não pestanejou. "Votei no Aécio Neves, porque, diferentemente de alguns que mudam de voto, eu não mudo." Ele citou o caso de Rollemberg, que anunciou voto em Aécio (PSDB), mas afirmou que sua esposa vota em Dilma Rousseff (PT).

Nas últimas pesquisas divulgadas neste sábado, 25, no Distrito Federal pelo Ibope e pelo Datafolha, Frejat aparecia com 45% dos votos válidos, ante 55% de Rodrigo Rollemberg (PSB).

Frejat fez do "ônibus com tarifa a R$ 1" sua principal bandeira eleitoral. Apelidada de "tarifa Frejat", a bandeira fez o candidato subir nas intenções de voto segundo as pesquisas Ibope e Datafolha. 

Com grande carência de transporte público coletivo, em especial nas cidades satélites - que ficam no entorno de Brasília -, os eleitores passaram a cobrar também do favorito, Rodrigo Rollemberg (PSB), promessas para a área.

"A tarifa de R$ 1 não é cara. Até hoje em Brasília e no Distrito Federal como um todo há ônibus circulando de graça, não há? Então, um real não é impossível. Do jeito que está é que não dá mais", afirmou Frejat.

O candidato deixou o colégio no bairro Lago Sul, de classe alta em Brasília, onde votou e foi acompanhar sua candidata a vice, Flávia Arruda, esposa de José Roberto Arruda, que teve sua candidatura ao DF cassada pela justiça eleitoral. Em 2010, Arruda foi preso quando era governador do Distrito Federal.

À tarde, Frejat afirmou que deve ir ao comitê de seu partido, o PR, para acompanhar a apuração dos votos. 

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