Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Ibope: Para 47%, apoio de Bolsonaro em SP atrapalha candidato

Pesquisa aponta mais prejuízo do que ajuda a candidaturas em eventual manifestação de alinhamento pelo presidente, Lula, Doria e Alckmin

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 05h00
Atualizado 22 de março de 2020 | 05h00

O apoio de quatro grandes caciques da política brasileira a algum candidato a prefeito de São Paulo mais atrapalharia que ajudaria, segundo pesquisa Ibope, em parceria com o Estado e a Associação Comercial de São Paulo. “Caso um candidato a prefeito, independentemente de quem seja, tivesse o apoio do presidente Jair Bolsonaro, isso aumentaria, diminuiria ou não afetaria a sua vontade de votar nesse candidato?”, questionou o Ibope a 1.001 paulistanos. O respaldo presidencial teria efeito negativo para 47% dos eleitores e positivo para 22%. 

Para 41%, uma declaração de apoio de Bolsonaro “diminuiria muito” a intenção de votar no candidato favorecido, e para 6% “diminuiria um pouco”. Apenas 17% responderam que “aumentaria muito”, e 5% que “aumentaria um pouco”. 

O Ibope também avaliou o potencial de transferência de votos do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva

No caso de Doria, quase metade dos eleitores encararia o apoio como algo negativo: 40% afirmam que isso diminuiria muito sua intenção de votar no candidato respaldado, e 9% afirmaram que “diminuiria pouco”.

O ex-presidente Lula, que em novembro do ano passado deixou a prisão, depois de passar 580 dias cumprindo pena por corrupção, é considerado um bom cabo eleitoral por um terço dos paulistanos: 26% e 6%, respectivamente, afirmam que seu apoio a um candidato aumentaria “muito” e “um pouco” a vontade de votar nele. O efeito negativo, porém, seria maior: para 36% e 6% dizem que isso reduziria “muito” ou “pouco” a intenção de voto na pessoa respaldada pelo petista.

Alckmin é que menos teria influência na decisão de voto: 35% dos entrevistados afirmam que o apoio do ex-governador não afetaria a vontade de votar ou não em um determinado candidato. Além disso, 34% e 10% dizem que reduziria muito e pouco, respectivamente, a intenção de voto. 

No caso de Bolsonaro, os segmentos que menos o consideram um bom cabo eleitoral são o dos mais pobres e o das mulheres. Quase metade dos eleitores do sexo feminino e parcela similar dos que se encontram na base da pirâmide de renda veriam como negativo o apoio do presidente.

Já os mais arredios a uma declaração de apoio de apoio de Doria seriam os eleitores mais escolarizados: 47% dos com curso superior dizem que o aval do governador diminuiria muito sua intenção de voto no candidato apoiado.

Para Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope, a resistência dos eleitores ao apoio de caciques políticos na campanha municipal tem a ver com os resultados práticos que eles esperam nos próximos quatro anos. “A esfera municipal é a mais próxima do cidadão, e é por isso que ele é mais exigente e crítico.”

O Ibope constatou que é forte o desejo de mudanças nos rumos da administração da capital, o que pode dificultar a reeleição do prefeito Bruno Covas. Dois terços dos eleitores esperam que o próximo ocupante da prefeitura mude “totalmente” ou “muita coisa” na administração municipal. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.