Ibope mostra maior vantagem de Dilma sobre Marina desde a morte de Campos

Petista aparece oito pontos porcentuais à frente de candidata do PSB ao Palácio do Planalto, que substituiu ex-governador de Pernambuco no posto

Daniel Bramatti, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2014 | 23h42

A presidente Dilma Rousseff abriu oito pontos porcentuais de vantagem sobre Marina Silva, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta-feira. Em uma semana, a petista oscilou de 37% para 39%, enquanto a candidata do PSB passou de 33% para 31%. Em um eventual segundo turno, as duas aparecem empatadas tecnicamente. Esse é o melhor resultado atingido por Dilma desde que Marina virou cabeça de chapa.

A pesquisa, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria, foi realizada entre 5 e 8 de setembro. Parte das entrevistas foi feita antes de vir a público o depoimento da delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que aponta pagamento de propinas a aliados do governo. Outra parte foi feita depois. Segundo o Ibope, não houve diferença nas intenções de voto do cenário pré-escândalo para o pós-escândalo.

Na pesquisa Datafolha divulgada nesta semana - realizada entre 9 e 10 de setembro -, Dilma recebeu 36% das intenções de voto contra 33% de Marina.

Evolução. Em 25 de agosto, quando o Ibope concluiu sua primeira pesquisa feita após o acidente aéreo que matou Eduardo Campos (PSB), a petista tinha 34% das intenções de voto e Marina, 29%. No levantamento seguinte, em 2 de setembro, a distância entre as duas caiu para quatro pontos, o que caracteriza um empate técnico no limite de margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos.

Na simulação de segundo turno, Dilma chegou a aparecer com nove pontos porcentuais de desvantagem em relação a Marina logo após o acidente. Agora, a petista tem 42%, e a adversária, 43%.

Com chances remotas de chegar ao segundo turno, Aécio Neves (PSDB) se estabilizou na faixa dos 15% de intenção de votos, menos da metade do patamar atingido por Marina. Antes do acidente de Campos, o tucano estava em segundo lugar, com 23%, e dava como certa a chegada à rodada final da eleição.

Na divisão do eleitorado por regiões, Dilma se sai melhor no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste. Entre os nordestinos, a presidente teve um crescimento forte, de 48% para 57%, abrindo 33 pontos de vantagem sobre a segunda colocada. No Norte/Centro-Oeste, o movimento foi semelhante: de 38% para 47%. Além de liderar nessas duas regiões, a petista está empatada tecnicamente com Marina no Sul, onde elas têm, respectivamente, 37% e 34%.

A região Sudeste é a única em que a candidata do PSB lidera isoladamente, com 35%. Em relação ao levantamento anterior, Marina saiu de um empate técnico e abriu nove pontos porcentuais de folga na região que abriga quase 45% do eleitorado do País.

Religião e bolso. É cada vez mais acentuada a diferença de desempenho das duas principais concorrentes no eleitorado católico e evangélico. No primeiro grupo, Dilma tem 17 pontos de vantagem (44% a 27%). No segundo, perde para Marina por 14 pontos (30% a 44%).

Na segmentação do eleitorado por renda, Dilma tem mais votos entre os mais pobres. No grupo que ganha até um salário mínimo, ela aparece com 56% das preferências, enquanto os adversários, somados, ficam com apenas 30%. No outro extremo da divisão feita pelo Ibope, os eleitores que ganham mais de cinco salários mínimos, a intenção de voto em Dilma cai para 24%. Nessa faixa, a petista está empatada com Aécio, que tem 25%, enquanto Marina lidera com folga (40%).

A candidata do PSB, depois de disparar nas pesquisas ao entrar na disputa como presidenciável, perdeu fôlego em diversos segmentos.

O Ibope ouviu 2.002 eleitores em todas as regiões do País. O nível de confiança é de 95%, ou seja, de cada 100 levantamentos com a mesma metodologia, 95 terão o resultado dentro da margem de erro prevista. O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral é BR-00593/2014.

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