Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Ibope: Em SP, auxílio emergencial não afeta aprovação de Bolsonaro

Pesquisa aponta que taxas de bom e ótimo são semelhantes entre quem recebeu e quem não recebeu o benefício pago pelo governo; tema entrou na campanha eleitoral

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2020 | 01h00
Atualizado 03 de outubro de 2020 | 20h28

O auxílio emergencial pago pelo governo federal a desempregados e trabalhadores informais ajudou o presidente Jair Bolsonaro a melhorar a sua popularidade, segundo demonstram pesquisas nacionais de opinião pública. Mas isso não aconteceu na cidade de São Paulo. Na capital, não há diferenças significativas na aprovação ao governo entre quem recebeu e quem não recebeu o benefício.

A primeira da série de pesquisas Ibope/Estadão/TV Globo sobre a campanha municipal mostra que, no total do universo dos entrevistados, a gestão Bolsonaro é considerada boa ou ótima por 27% e ruim ou péssima por 48%. No grupo que afirma ter recebido o auxílio – que chega a cerca de 40% do total –, as opiniões são semelhantes: 29% veem o governo como bom ou ótimo, e 45% como ruim ou péssimo.

Em São Paulo, as taxas de aprovação e desaprovação à gestão do presidente praticamente não variaram desde março, quando a pandemia do novo coronavírus ainda estava em sua fase inicial no Brasil. Pesquisa Ibope feita naquela época mostrou que o governo era considerado ruim ou péssimo por 48% e bom ou ótimo por 27% dos paulistanos. Outro levantamento do mesmo instituto, na terceira semana de setembro, mostrou números próximos a isso.

Quando a primeira pesquisa foi feita, a distribuição do auxílio emergencial ainda não havia começado. As duas mais recentes foram realizadas após o pagamento de algumas parcelas.

No País como um todo, o quadro é diferente. Duas pesquisas nacionais do Ibope, feitas no final de 2019 e em setembro deste ano, mostraram melhora significativa nos números: entre um levantamento e outro, a parcela dos que veem o governo como ótimo ou bom subiu de 29% para 40%.

Analistas creditaram essa melhora ao auxílio emergencial – benefício de até nove parcelas mensais, em valor que, no total, pode chegar a R$ 4,2 mil (ou o dobro disso, no caso de mulheres chefes de família). Com o auxílio, o total de brasileiros atendidos por programas federais de renda básica chegou a cerca de 65 milhões.

A melhora da aprovação a Bolsonaro fez com que candidatos a prefeito passassem a buscar mais o apoio presidencial. Em São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) até anunciou a intenção de criar um “auxílio paulistano”, se for eleito, para complementar o benefício federal.

Segundo a pesquisa Ibope divulgada na sexta-feira, 2, Russomanno tem 26% das intenções de votos. Ele é seguido pelo atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), com 21%, Guilherme Boulos (PSOL), com 8%, e Márcio França (PSB), com 7%.

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Como a margem de erro máxima da pesquisa é de três pontos porcentuais para mais ou para menos, Russomanno e Covas estão empatados tecnicamente. O mesmo acontece na terceira colocação, entre Boulos e França.

Aprovação e reprovação à gestão Covas se equivalem em SP

Candidato à reeleição, Bruno Covas começa a campanha eleitoral com a taxa de avaliação positiva de sua administração exatamente igual à negativa. Segundo a pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo, 27% dos paulistanos consideram seu governo bom ou ótimo, e 27% o veem como ruim ou péssimo. A avaliação regular é a que congrega a maior parcela de moradores da cidade: 43%.

O empate persiste quando o Ibope dá apenas duas alternativas e pergunta se o eleitor aprova ou desaprova a administração de Covas – isso obriga o contingente que considera a gestão regular a se posicionar. Nesse caso, 48% afirmam que aprovam, e 45%, que desaprovam – a diferença está dentro da margem de erro da pesquisa. 

Segundo o Ibope, apenas metades dos eleitores que opinam positivamente sobre a gestão Doria declaram intenção de voto no prefeito. Isso significa que ele tem potencial para crescer nesse segmento. 

Já o governador João Doria (PSDB), na cidade de São Paulo, encontra mais cidadãos insatisfeitos com seu trabalho. A gestão é considerada ruim ou péssima por 42%, e boa ou ótima por apenas 22%. Para 35%, seu governo é regular.

Um em cada cinco eleitores está em dúvida se vai votar

Por causa dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, um em cada cinco eleitores da cidade de São Paulo ainda está em dúvida sobre a ida às urnas para escolher o novo prefeito, e 6% já decidiram que não comparecerão de jeito nenhum. 

Segundo a pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo, 75% dos paulistanos se mostram decididos a comparecer para votar. Os menos convictos nesse sentido são os eleitores de baixa renda e escolaridade. 

A pesquisa Ibope foi realizada entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, com 805 pessoas. As entrevistas foram feitas de forma presencial. Por causa da pandemia, os entrevistadores usaram equipamentos de proteção. O levantamento foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo sob o protocolo SP-09520/2020.

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