Ibope aponta empate técnico entre Jatene e Helder Barbalho no PA

Ibope aponta empate técnico entre Jatene e Helder Barbalho no PA

Os dois aparecem com 50% dos votos válidos em pesquisa; na anterior, candidato do PMDB tinha 52% e o do PSDB, 48%

Fábio Brandt, Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

25 de outubro de 2014 | 13h42

BELÉM - A eleição para governador do Pará é uma das mais acirradas das disputas estaduais deste ano. O candidato à reeleição, Simão Jatene (PSDB), e o desafiante, Helder Barbalho (PMDB), aparecem em empate técnico nas principais pesquisas. No 1.º turno, Helder teve 49,8% dos votos. Jatene, 48,5%. Essa divisão quase simétrica do eleitorado faz políticos dos dois campos adversários admitirem que nenhum resultado surpreenderá.

Independentemente do vencedor, no entanto, aliados de Helder, filho do senador e ex-governador do Estado Jader Barbalho (PMDB), já se consideram bem-sucedidos por encontrar no candidato o sucessor ideal do legado político do pai. Assim, avaliam que, se não for desta vez, acreditam ser quase infalível a volta do grupo ao comando do Estado em 2018.

“Se acontecer de ele perder, já estaria vitorioso. Mas não existe isso. Esse tipo de vitória não nos contemplaria nem nos contentaria”, brinca o deputado federal José Priante (PMDB), um dos mais próximos da família Barbalho.

O que Priante e outros conhecedores da política paraense enxergam é o esgotamento do PSDB local, única sigla que fez frente ao PMDB de Jader nos últimos anos. Além disso, veem em Helder um político capaz de se expor ao público de uma forma que seu pai passou a evitar nos últimos anos após ser abatido por alguns dos mais pesados escândalos da história recente do país.

Aos 35 anos, metade da idade de Jader, Helder é um empresário rico. Tem participação nas bem-sucedidas empresas do pai. Conta com o sobrenome tradicional. E começou cedo na política: já foi vereador, deputado estadual e duas vezes prefeito da segunda maior cidade do Pará, Ananindeua.

Terceiro mandato. Por outro lado, Simão Jatene, aos 65 anos, tenta seu terceiro mandato de governador – exerceu o cargo de 2003 a 2006 e, depois, de 2010 até agora. Se ganhar neste ano, não poderá concorrer de novo em 2018. E não produziu nenhum herdeiro para as urnas. Os tucanos que despontam no Estado são os atuais prefeitos de Belém, Zenaldo Coutinho, e de Ananindeua, Manoel Carlos Antunes, ambos sem grande destaque em nível estadual.

Sombra paterna. Se a força de Jader sustenta a candidatura do filho, ela também explica em parte a situação de Jatene, que foi secretário de seu governo na década de 1980. Eles romperam, segundo relatou o tucano à reportagem, após desavenças a respeito de um mecanismo para coibir sonegação de impostos quando trabalharam juntos no extinto Ministério da Reforma Agrária do governo de José Sarney – Jader como ministro e Jatene como seu auxiliar.

Um ponto em comum entre Jatene e Helder é a indisposição para falar a respeito de Jader. “Quer saber um pouco dessa história? Então tudo bem”, interrompe o tucano antes de começar o relato sobre o adversário.

O peemedebista, por sua vez, tenta exibir o pai como um simples colaborador, não como mentor. O papel de Jader em sua campanha? “O senador Jader é presidente estadual do PMDB.” E se ganhar o governo? “O senador Jader vai colaborar conosco como senador da República.” Recebe conselhos de Jader? “Eu lhe digo que, não só em relação ao senador Jader, mas não abro mão de poder ter a opinião de qualquer um daqueles que queiram colaborar com o nosso projeto.” 

Pesquisa. Pesquisa Ibope divulgada neste sábado apontou empate técnico, dentro da margem de erro, entre os candidatos ao governo do Pará. Considerando os votos válidos, ou excluindo da amostra os votos brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos, o candidato Helder Barbalho, do PMDB, aparece com 50%, contra iguais 50% de Simão Jatene, do PSDB. No levantamento anterior, divulgado no dia 18 de outubro, Helder tinha com 52%, e Jatene, 48%.

Encomendada pela TV Liberal, a sondagem do Ibope ouviu 812 eleitores em 42 municípios do estado de 21 a 23 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Pará sob registro nº PA-00054/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral sob protocolo no BR-01182/2014. 

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