'Houve problemas nos projetos e desaceleração'

Apesar da paralisação em alguns lotes, ministro afirma que os eixo leste ficará pronto até 2014 e o norte até 2015

Entrevista com

EDUARDO BRESCIANI, ESTADÃO.COM.BR / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2011 | 03h06

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra de Souza Coelho, trata como "desaceleração" o momento das obras da transposição do Rio São Francisco, carro-chefe da pasta. Ele culpa projetos básicos insuficientes pela paralisação em alguns lotes. Nega caráter eleitoral e afirma que a orientação da presidente Dilma Rousseff é retomar a obra e concluí-la o mais rápido possível. "Queremos construir o eixo leste até 2014 e o eixo norte no final de 2015", afirma o ministro.

De que forma essa interrupção das obras em alguns lotes da transposição pode afetar o cronograma?

Quero fazer uma ponderação de que não se trata de uma interrupção da obra. Neste ano de 2011 estamos vivenciando uma desaceleração no ritmo em consequência das dificuldades e dos problemas que enfrentamos pela contratação de projetos básicos que se revelaram frágeis quando da execução. A obra já não cabia dentro dos contratos e muitas frentes não puderam ser abertas. É uma desaceleração em função da renegociação e recontratação de diversas frentes de serviço. Estamos fazendo rescisões parciais e vamos fazer levantamento das obras complementares que serão licitadas até fevereiro de 2012 e com contrato assinado até junho de 2012.

Os lotes que estão paralisados serão redivididos?

Vamos fazer isso para complementar a obra. Como não se consegue terminar obedecendo ao limite legal de 25% de aditivos estamos fazendo as rescisões do que não cabe no contrato. Vamos pegar saldos ou obras complementares e juntar. Por exemplo, tudo que ficou no eixo leste terá uma nova licitação para ter uma única firma responsável pela conclusão.

De quem é a responsabilidade pelos trechos que começam a se deteriorar?

As empresas são as responsáveis. Os canais têm de ser entregues em boas condições para estarem cheios de água. Em projetos de irrigação, se você faz o canal e não coloca água rapidamente, ainda mais com o sol escaldante do sertão, você tem trincamentos e rachaduras. Está previsto no contrato fazer a recuperação.

Quando as obras serão concluídas?

Queremos construir o eixo leste até 2014 e o eixo norte no final de 2015. Vamos ter no final de 2012 um piloto pronto de pouco mais de 20 quilômetros no início do eixo leste com uma demonstração de tudo que tem na obra, captação, bombeamento, elevação, aqueduto e barragem. Esse piloto vai começar a funcionar até o final do próximo ano e lá vamos treinar e capacitar os operadores que vão trabalhar na gestão do canal.

O ano de 2014 é de eleições presidenciais. Essa obra já foi acusada no passado de ser eleitoreira. Prometer agora a conclusão para esta data não reforça essa tese?

Pelo contrário, se fizermos uma avaliação fria essa pecha não cabe mais. É uma obra importante para dar segurança hídrica ao Nordeste. Os questionamentos sobre a importância da obra estão vencidos pelo intenso debate. Temos de cuidar de retomar, acelerar e entregar o quanto antes. Essa é a orientação da presidente Dilma.

Nenhuma chance de nova prorrogação dos prazos?

Não, estamos trabalhando com este prazo, que é adequado. Todas as providências que estão sendo tomadas nos permitem uma confiança grande que haveremos de cumprir.

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