Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Horário eleitoral começa hoje; veja as estratégias dos candidatos a presidente

Candidato do PSL, Jair Bolsonaro é alvo de ataques velados nas inserções que passam a ser veiculadas nesta sexta-feira, 31; palanque eletrônico nas eleições 2018 se inicia com programas estaduais

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2018 | 05h00

Os primeiros comerciais (inserções) das campanhas de Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB) no horário eleitoral no rádio e na TV, que começam a ser veiculados nesta sexta-feira, 31, terão o deputado Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL, como alvo. De forma velada, as campanhas do tucano e do emedebista criaram peças que criticam o discurso de Bolsonaro sustentado na facilitação do porte de armas para a população e no voto movido pela indignação.

O chamado palanque eletrônico das eleições deste ano terá início com a exibição dos blocos de programas dos candidatos a governador, ao Senado e às assembleias legislativas e distrital. Neste sábado, 1.º, será a vez dos postulantes à Presidência da República. A partir desta sexta-feira, porém, já começam a ser exibidas as inserções de 30 segundos das campanhas para o Planalto. 

Na candidatura de Alckmin, a estratégia para “desconstruir” Bolsonaro deve ficar concentrada majoritariamente nestes comerciais. A equipe de publicidade do tucano copiou uma campanha britânica contra o uso de armas e produziu um vídeo no qual um projétil atravessa em câmera lenta objetos com palavras como fome e desemprego e chega até uma criança negra. Em seguida, é usado o slogan: “Não é na bala que se resolve”.

Bolsonaro reagiu ao vídeo e disse que “flores não garantem paz”.

Os marqueteiros de Meirelles adotaram linha semelhante, mas neste caso o mote é que o eleitor não deve votar “com os olhos cegos pela indignação”. Duas inserções reforçam essa ideia. Em uma delas, os passageiros de um ônibus se desesperam quando percebem que o motorista está dirigindo com os olhos vendados.

No bloco fixo de 12 minutos e 30 segundos destinado aos presidenciáveis, uma breve biografia de Alckmin será apresentada. A propaganda vai mostrar o caso de uma paraense que se curou no Instituto do Câncer de São Paulo (ICSP) para vender a ideia de que as políticas públicas paulistas podem ajudar a população de outros Estados.

Meirelles, por sua vez, vai repetir nos programas o estilo já usado em suas redes sociais. Vídeos vão vender o ex-ministro da Fazenda de Michel Temer e ex-presidente do Banco Central de Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso na Lava Jato – como o mais preparado para enfrentar a crise econômica, gerando empregos e crescimento. Para se tornar mais popular, deve usar a imagem de Lula e esconder a de Temer.

‘Estadão Notícias’: Adversários ainda não sabem como desconstruir Jair Bolsonaro

Táticas

A participação do ex-presidente petista no horário eleitoral deverá ser analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em sessão extraordinária marcada para esta sexta-feira

Em uma campanha mais curta também no rádio e na TV, os presidenciáveis traçaram táticas distintas. Com poucos segundos de exposição, mas bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro e Marina Silva (Rede) – respectivamente primeiro e segundo colocados nos cenários sem a presença de Lula – devem utilizar os programas para convidar eleitores para produções veiculadas nas redes sociais. O mesmo fará Guilherme Boulos, do PSOL. 

Marina deve estrear as inserções com um discurso de unificação do País. A prioridade é fortalecer seu eleitorado, majoritariamente feminino e jovem. A presidenciável tem, no perfil de 16 a 34 anos, a maior parte dos seus votos, segundo a mais recente pesquisa Ibope/Estado/TV Globo.

Os primeiros programas e inserções de Ciro Gomes (PDT) vão focar em sua proposta de tirar mais de 60 milhões de brasileiros do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Como Ciro, boa parte dos candidatos vai adotar o mote da “mudança”. 

Os “nanicos” na TV e no rádio vão apresentar, nos programas e inserções, propostas e protestos. “Vamos mudar tudo que está aí”; “A mudança que a gente quer não virá dos políticos que a gente tem”, diz João Amoêdo, do Novo. / PEDRO VENCESLAU, ADRIANA FERRAZ, GILBERTO AMENDOLA, MARIANNA HOLANDA e RICARDO GALHARDO

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Ex-presidente Lula aparece na primeira inserção da chapa na TV

Imagens de arquivo do ex-presidente serão usadas em filme que vai ao ar nesta sexta-feira, 31; candidato a vice nas eleições 2018, Haddad surge no final da peça

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2018 | 05h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, e o seu candidato a vice e possível substituto na chapa, o ex-prefeito Fernando Haddad, são os protagonistas da primeira propaganda da campanha presidencial do PT nas eleições 2018 que foi ao ar às 6 horas desta sexta-feira, 31.

O filme de 30 segundos mostra imagens de arquivo de uma entrevista de Lula a uma rádio. “O povo brasileiro não é bobo”, diz o ex-presidente, que, em seguida, enumera pontos positivos de seus governos. 

Nos segundos finais, Haddad aparece falando de frente para a câmera enquanto caminha no meio de uma multidão. As imagens foram gravadas durante o ato que reuniu manifestantes na frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, para o registro da candidatura de Lula, no dia 15 de agosto. “Eu sou Fernando Haddad, candidato a vice-presidente de Lula”, diz o ex-prefeito de São Paulo. 

A ideia é popularizar o nome de Haddad, ainda desconhecido da maioria dos eleitores de Lula, e, ao mesmo tempo, destacar o período de bonança durante os governos do ex-presidente. O grande desafio da comunicação petista neste início de campanha é tentar transferir os votos de Lula, líder nas pesquisas, para Haddad sem deixar transparecer que o discurso de manutenção da candidatura do ex-presidente é apenas uma estratégia eleitoral. 

Decisão do TSE sobre o caso Lula

Em caso de uma decisão contrária no TSE nesta sexta-feira, o PT pretende se reunir para avaliar se antecipa a substituição de Lula por Haddad. Advogados eleitorais do ex-presidente têm se reunido com a equipe de comunicação da legenda para traçar dois cenários possíveis. 

No primeiro deles, sem um impedimento da Corte Eleitoral, Lula será o protagonista das propagandas eleitorais do PT. Caso contrário, a imagem do ex-presidente será usada nos 25% de tempo do horário eleitoral que, pela legislação, não deve, obrigatoriamente, ser destinado à chapa de candidatos. Na segunda hipótese, o PT deve adotar uma narrativa em que Lula aparece como “vítima de perseguição” por parte da Justiça Eleitoral.

Se o registro de Lula for indeferido pelo TSE, a defesa do petista, por orientação do próprio ex-presidente, vai apresentar um Recurso Extraordinário com pedido de liminar ao Supremo Tribunal Federal.

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Alvaro Dias usa imagem de Moro e máscaras de Lula na TV

A ideia do candidato do Podemos à Presidência nas eleições 2018 é reforçar o compromisso público de apoio à Operação Lava Jato

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2018 | 05h00

O candidato à Presidência Alvaro Dias (Podemos) vai estampar, já no primeiro dia de seu programa no horário eleitoral de rádio e TV, a imagem do juiz da 13.ª Vara Criminal Federal, Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em primeira instância. A ideia é reforçar o compromisso público de apoio à operação, que ele tem feito em discursos e entrevistas. 

O combate à corrupção, mote da campanha do presidenciável do Podemos nas eleições 2018, vai surgir ainda no slogan “Abre o Olho”, usado por Dias para alertar o eleitorado sobre seus adversários. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado em segunda instância e preso desde abril pela Lava Jato, surgirá em máscaras usadas por seus apoiadores, com um tom crítico. Nos 40 segundos a que tem direito em cada bloco diário do horário eleitoral em rádio e TV, Alvaro Dias ainda contará parte de sua história de vida, com destaque para a origem simples, na zona rural. 

“Nosso objetivo é mostrar o Alvaro como ele é. Ele não é um personagem, a história dele não está sendo construída agora”, diz o marqueteiro Alexandre Oltramari. Segundo ele, as demais inserções ao longo da campanha vão seguir a mesma linha, sempre com o foco no tema corrupção e com críticas direcionadas a Lula e ao PT. 

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Marina poupa Bolsonaro e mantém discurso de mulher e mãe em inserção na TV

O horário eleitoral começa nesta sexta-feira, 31, e a candidata da Rede será a primeira a se apresentar, conforme sorteio do TSE

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2018 | 05h00

Com poucos segundos de televisão, a candidata da Rede, Marina Silva, não deve atacar adversários e deve reforçar o discurso de mulher, mãe, de origem humilde. A presidenciável estreia nesta sexta-feira, 31, nas inserções de televisão da disputa pelo Planalto nas eleições 2018.

Intitulado “Temos um plano para o Brasil e todo brasileiro faz parte dele”, a ex-ministra do Meio Ambiente vai apresentar um discurso de unificação do País e abordar o sentimento de indignação. A estratégia da campanha será mostrar a candidata e suas propostas e redirecionar o público para o seu site.

A campanha de Marina, segunda colocada na mais recente pesquisa do Ibope/Estadão/TV Globo na ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da disputa, ganhou fôlego após o embate com o líder nas pesquisas no mesmo cenário, Jair Bolsonaro (PSL). Ela criticou o fato de o deputado federal dizer que o problema da desigualdade salarial entre homens e mulheres já está resolvido nas leis trabalhistas.

Apesar disso, Marina não deve atacar Bolsonaro nas inserções. Ela tem pouco tempo e deixará esse trabalho para seus adversários com mais tempo de rádio e TV, como Geraldo Alckmin (PSDB).

Marina fortalecerá seu eleitorado feminino e jovem

A estreia da candidata na televisão terá como prioridade fortalecer seu eleitorado, majoritariamente feminino e jovem. A presidenciável tem, no eleitorado de 16 a 34 anos, a maior parte dos seus votos, segundo a mais recente pesquisa do Ibope/Estadão/TV Globo. Entre as mulheres, lidera com 15%, ao lado de Bolsonaro, com 13% (pela margem de erro, estão empatados, também no cenário sem Lula na disputa).

Sua equipe trabalha com base em cinco eixos para as inserções, além do discurso de unificação: priorizar a agenda feminina, apresentando-a como a candidata das mulheres, mãe, de origem humilde; tratar da importância da educação; destacar a qualidade de sua equipe, notadamente os “pais” do Plano Real e Bolsa Família, respectivamente, André Lara Rezende e Ricardo Paes de Barros; exaltar seu vice, Eduardo Jorge (PV); e valorizar a juventude.

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