Reprodução/Facebook Homero Marchese
Reprodução/Facebook Homero Marchese

Homero Marchese, um fiscal de contas na Assembleia do Paraná

Manifestação de rua deu projeção ao deputado estadual eleito pelo PROS

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2018 | 05h00

CURITIBA - Natural de Maringá, norte do Paraná, Homero Marchese, de 35 anos, é especialista em Direito Administrativo e Processual Civil e passou no concurso para servidor do Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR). Como responsável pela análise técnica das contas de órgãos públicos do Estado, percebeu que ao menos metade dos pareceres que emitia para desaprovação de contas era desconsiderada quando chegava à mesa dos conselheiros do órgão – a maioria, indicada politicamente para o cargo. 

Em uma ocasião, Marchese considerou ilegal o pagamento de uma prefeitura para a construção de uma ponte, obra que sequer havia saído do papel. Em recurso ao órgão, no entanto, o conselheiro relator reverteu a decisão. “Percebi que vários trabalhos que eu fazia não iam para frente. Na prática, estavam vendendo meu trabalho para quem eu estava fiscalizando.” Decepcionado, após cinco anos no cargo, largou a estabilidade e iniciou uma campanha contra as indicações políticas no TC. 

Nos protestos de junho de 2013, foi para as ruas de Curitiba com uma faixa com a inscrição: “Tribunal de Contas não é balcão de negócios. Chega de indicações políticas!”. A manifestação chamou a atenção de uma emissora local que fazia uma série de matérias sobre o trabalho do TC. 

Entrevistado numa das reportagens, sua atitude tomou projeção estadual. Marchese decidiu, então, entrar na vida pública. Em 2014, ficou na terceira suplência na Assembleia. Dois anos depois, foi eleito o vereador mais votado da história de Maringá, sua cidade natal. Nas eleições deste ano, com pouco mais de 42 mil votos, foi eleito deputado estadual. 

“Foi uma grande surpresa (a eleição) este ano. Quem está na política escuta esse papo há muito tempo, mas com o financiamento público de campanha, imaginei que não ia haver renovação. Isso mostra que, à beira do abismo, a população começa a perceber que ou ela vota em gente séria, ou vai piorar”, disse. No Legislativo estadual, promete seguir seu trabalho de fiscalização dos órgãos públicos.

Integrante do MBL, o agora deputado eleito esteve nas ruas também em 2014, pedindo o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Seu partido, o PROS, no entanto, apoiou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência este ano – depois substituído por Fernando Haddad (PT). “O partido até me atrapalhou um pouco, já que tinha a promessa de que não apoiaria o PT e, na cabeça das pessoas, há uma ligação”.

TRÊS PERGUNTAS PARA... 

Homero Marchese (PROS), deputado estadual eleito no Paraná

1. Foi uma surpresa essa renovação no pleito de 2018?

Foi uma grande surpresa (a eleição) esse ano. Isso mostra que, à beira do abismo, a população começa a perceber que, ou ela vota em gente séria, ou vai piorar.

2. Os novos movimentos políticos facilitaram isso?

Sem dúvida. O MBL me ajudou nessa campanha, diante do descrédito do sistema político brasileiro. Esses movimentos acabam mostrando à população quem é quem. 

3. Quais as propostas para o mandato?

Tenho dois focos: fiscalizar o governo e outros poderes e ser a voz de controladoria do cidadão e leis que promovam liberdade e transparência para o cidadão.

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