Hollande retoma ação que Sarkozy havia conduzido mal

Análise: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2012 | 02h00

O acordo de parceria estratégica entre Brasil e França foi mal conduzido por Nicolas Sarkozy - ao seu estilo próprio, o ex-presidente interpretou o tratado bilateral como um passe livre no viés comercial. Ajudou muito, mas não no todo. O estaleiro estatal francês DCNS é o parceiro da Marinha no maior programa de reequipamento da Defesa em execução efetiva, a construção de quatro submarinos convencionais e de um quinto navio, esse de propulsão nuclear. Por 6,7 bilhões, cerca de R$ 21,5 bilhões, o pacote do ProSub prevê ainda a construção de um estaleiro de alta tecnologia e uma nova base operacional para a frota em Itaguaí, no Rio. A primeira unidade do complexo será inaugurada este mês.

É bem mais, por exemplo, que a escolha F-X2, do novo caça, negócio estimado em 4 bilhões, coisa de R$ 10 a R$ 12 bilhões.

A negociação rolou sob as dificuldades habituais de ajuste dos grandes contratos - mas acabou saindo. A seleção dos caças acumula 17 anos de atraso. A intensa pressão exercida nos anos Sarkozy não ajudou em nada. Cancelada, retomada, adiada e vítima de gafes diplomáticas, a escolha pode ser anunciada pela presidente Dilma Rousseff até o fim do ano, ou vai ganhar mais desgaste e seguir indefinida em 2013.

De qualquer forma, o presidente François Hollande e a chancelaria francesa perceberam que há muito a ganhar com a retomada das origens do acordo. A visita do ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, durante dois dias - amanhã e segunda-feira -, confirma a mudança de patamar.

França e Brasil passam a discutir Defesa como área dos interesses comuns aos dois Estados nacionais. Negócios, inclusive.

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