Hidrelétricas na Amazônia são foco de divergências

A grande área disponível hoje para a construção de novas barragens é a Amazônia, especialmente nas bacias dos Rios Tapajós, Xingu e Madeira. De acordo com o Plano Nacional de Energia 2030, cerca de 80% do total do potencial energético que o Brasil precisa acrescentar ao que já existe deve vir daquelas bacias.

O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2011 | 03h05

Considerando que também é na Amazônia que se concentra a quase totalidade das terras indígenas do País, não é difícil imaginar o agravamento das tensões. "O conflito entre instalação de hidrelétricas e a capacidade de sobrevivência dos povos indígenas é atual e só tende a se intensificar", diz o advogado Raul Silva Telles, do ISA, em artigo na publicação Povos Indígenas no Brasil 2006-2010.

Telles explica que, além da possibilidade de serem obrigados a se deslocar para áreas diferentes, os índios temem o desequilíbrio do ecossistema. "Também podem ocorrer impactos sociais, sobretudo para as populações dependentes do extrativismo animal e vegetal."

No momento, o palco mais vistoso da polêmica é a barragem de Belo Monte. Na semana passada, o ator americano Leonardo DiCaprio juntou seu nome à longa lista de personalidades que se opõem à construção daquela barragem. Em setembro, o líder caiapó Raoni Metuktire foi à França pedir apoio internacional à causa. Escolhido para figurar na capa da publicação do ISA, Raoni diz: "Eu defendo o rio, a floresta e a terra para a sobrevivência do meu povo, das novas gerações, meus netos". / R.A.

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