Hegemonias ameaçadas

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de reconhecer ao PSD o direito a tempo de televisão e fundo partidário, proporcionais à sua bancada, consolida a legenda no cenário político como fator que não pode mais ser desconsiderado nas próximas sucessões presidenciais.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2012 | 03h05

Com um deputado a mais que o PSDB, é a terceira força na Câmara e a quarta nas duas casas do Congresso Nacional. Sua parceria preferencial com o PSB, do governador pernambucano Eduardo Campos, produz uma soma que eleva ambos ao segundo lugar e projeta o fim da hegemonia de PT e PMDB na aliança governista.

A decisão do Supremo era a argamassa que faltava para solidificar a estratégia do PSD de servir de linha auxiliar ao governo da presidente Dilma Rousseff, cujo sinal externo mais recente foi o protagonismo da senadora Kátia Abreu (TO) na solenidade de lançamento do plano agrícola no Palácio do Planalto na última quinta-feira.

Nas eleições municipais a decisão pouco ou quase nada influi. A inferioridade na disputa é o custo do investimento na consolidação do partido, que impôs alianças indispensáveis à sua estruturação nos Estados e municípios. Mas para 2014 é ator incontornável.

Nesse contexto, a estratégia continua sendo a de apoiar a reeleição de Dilma Rousseff, com vistas a um protagonismo real nas eleições de 2018 - por ora, o mesmo roteiro traçado por Eduardo Campos.

A ressalva é a de que o apoio é a Dilma e não ao PT, com o qual conviverá melhor no governo do que com o PMDB, eleito o verdadeiro adversário político pelo seu empenho em inviabilizar a conquista obtida anteontem no tribunal.

Mais

autonomia

A consolidação do PSD como parceiro dá mais autonomia a Campos e Dilma em relação ao PT, embora a nenhum dos dois ocorra usá-la para confrontar o ex-presidente Lula. Mas ajuda a preservar a convivência impositiva da presidente com o partido que a elegeu e respalda ações pontuais de independência do governador, como a verificada agora no Recife, com o rompimento da aliança PSB/PT. As disputas internas nos dois principais partidos de sustentação do governo e a continuidade dos altos índices de aprovação de Dilma completam esse cenário, o que pode explicar as dificuldades recentes criadas pelo PT na Câmara e a mobilização da CUT por uma greve geral. São demonstrações de força de uma base fragilizada.

Fratura exposta

As divergências entre PT e PMDB em cidades estratégicas agravam feridas. O PMDB remói o rompimento em Campina Grande (PB), e a perda da vice em São Bernardo do Campo. Suas lideranças já condicionam a manutenção da aliança às presidências da Câmara e Senado para o partido.Ah, bom...!

A resolução do PT proibindo alianças com partidos de oposição (PSDB, DEM e PPS) virou água justamente em Londrina (PR), terra do ministro Gilberto Carvalho e do secretário nacional de Comunicação do partido, deputado André Vargas. A candidata a prefeita é Márcia Lopes, irmã de Gilberto, que deverá ter como vice um nome do PPS, do deputado Roberto Freire (SP), que faz oposição acirrada ao governo federal. Vargas justificou a exceção: "Foi inevitável porque aqui há muita corrupção."

Cassação à vista

É zero, hoje, a chance do senador Demóstenes Torres (GO) de escapar da cassação. Ele chegou a ter 25 votos a favor, mas os senadores concluíram que o voto secreto não os preserva da rejeição popular com a imagem diária do senador na Casa, como se nada tivesse acontecido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.