Haddad veta 'interferências' em equipe

Petista diz 'não admitir' montagem de secretariado antes do resultado da eleição; grupos do PT e partidos aliados já cobiçam cargos

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2012 | 03h10

Líder nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de São Paulo, com 13 pontos à frente do adversário José Serra (PSDB) segundo o Ibope, o petista Fernando Haddad afirmou ontem que "não admite" discutir a montagem de equipe de governo antes do resultado oficial da eleição, no domingo. Seus apoiadores já começaram, porém, a fazer projeções sobre os cargos que pretendem ocupar em uma eventual gestão do PT. Haddad disse que não aceitará "interferências" na escolha da equipe, mas confirmou que o governo terá por base a coalizão de partidos.

"Não estou lidando com isso (formação do secretariado) e me recuso a lidar com isso. Nunca lidei com isso no Ministério da Educação, não vai ser agora que eu vou lidar", afirmou Haddad depois de visitar a sede da Academia Paulista de Letras, no Largo do Arouche, região central da capital. "Isso tem um momento de fazer e antes de tudo o estabelecimento de critérios."

Haddad não revelou quais critérios adotará para escolher o comando do primeiro escalão da gestão. O ex-ministro tende a preferir gestores com perfil técnico. Ele alegou que comentar o assunto seria uma "deselegância, porque ainda está em campanha".

"Eu vou anunciar depois da eleição. Quem vai definir os critérios sou eu. O prefeito eleito é que escolhe a sua equipe", afirmou. "Vou escolher com o mesmo critério que compus minha equipe no MEC. Sem admitir interferências de outra ordem que não o interesse público."

O petista declarou, porém, que os convites a possíveis secretários serão feitos com transparência. "A primeira providência é estabelecer critérios claros, transparentes, para o convite a pessoas que querem ajudar São Paulo. Precisamos ter um secretariado à altura dos desafios colocados por São Paulo."

Coalizão. Haddad afirmou que "já foi anunciado desde janeiro" que ele adotaria um governo de coalizão quando começou a costurar apoios partidários. "Pretendo me espelhar na experiência do governo Dilma", disse Haddad. "Sobretudo o segundo mandato do governo Lula foi de coalizão e entendo que é um bom critério, dividir responsabilidade com toda a cidade."

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desautorizou indicações de cargos, que vinham sendo debatidas pelas correntes do PT, como o Estado revelou na quarta-feira. Colaboradores do plano de governo, Ana Odila de Paiva Souza deve estar na pasta de Transportes e Vladimir Safatle, na de Cultura. O PMDB, de Gabriel Chalita, quer participação proporcional à que tem no governo federal. O PC do B, da vice Nádia Campeão, quer a pasta de Esportes e a de Articulação para a Copa.

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