Tiago Queiroz e Felipe Rau/AE
Tiago Queiroz e Felipe Rau/AE

Haddad vê 'ódio' em campanha tucana; petista 'segue lição de Dirceu', diz Serra

No dia em que ambos foram à missa em Itaquera, em horários diferentes, candidatos do PT e do PSDB trocam as acusações mais agudas desde o início do segundo turno

Bruno Lupion e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2012 | 03h05

Na troca de acusações mais contundente desde o início do segundo turno da eleição paulistana, o candidato do PT, Fernando Haddad, disse nesta sexta, 13, que seu adversário do PSDB, José Serra, faz uma campanha para "promover o ódio" e "vai mobilizar trevas como fez em 2010". Em resposta, o tucano afirmou que o petista "está seguindo as lições" do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado pelo Supremo Tribunal Federal na terça-feira, pelo crime de corrupção ativa.

Haddad foi o primeiro a ter agenda pública no feriado de 12 de outubro: participou de missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Itaquera, zona leste, um dia após o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, divulgar um vídeo relacionando Haddad ao kit anti-homofobia. O material foi editado quando o petista comandava o Ministério da Educação (MEC) e apelidado de "kit gay" por setores evangélicos. No vídeo, Malafaia diz que Haddad "deu grana para ativistas gays fazerem esse lixo moral para ensinar homossexualismo (nas escolas)", questiona sua gestão à frente do Ministério da Educação e afirma: "Contra Haddad e o kit gay, Serra 45".

O petista disse que Serra estaria por trás do vídeo, com o objetivo de criar uma "cortina de fumaça" que desvie o debate sobre a gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que apoia o tucano. "Ele (Serra) fez isso com a Dilma (na campanha presidencial de 2010), ele vai fazer isso comigo. É a mesma estratégia de 2010. Só que deu errado. O que ele (Serra) tinha que entender é que esse tipo de prática vai dar errado", afirmou Haddad.

Serra, antes de visitar o Museu Catavento, no centro, citou a condenação de Dirceu pelo STF em resposta às críticas do adversário. "José Dirceu quando atacado, ataca o outro. Esse é o esquema do pega-ladrão, que ele fundou no Brasil. Ele bate carteira, sai correndo e grita: 'pega ladrão", afirmou. "O Haddad apenas está seguindo as lições de Dirceu, de quem é companheiro e camarada."

À tarde, após a entrevista de Serra, Haddad teve novo evento público, em Aricanduva. Um jornalista disse ao petista que Serra o havia comparado a um "chefe de quadrilha" - a campanha do tucano negou ter feito essa relação - e pediu um comentário. Haddad afirmou que o adversário estava "fora de si" e que pretendia "mobilizar as trevas" para vencer a eleição. O setorial jurídico do PT estadual cogitou entrar com ação contra Serra, mas recuou.

Enem. O tucano também criticou a atuação do adversário no Ministério da Educação e comentou a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre suposta fraude em licitação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), revelada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo.

"O que aconteceu com o Enem na gestão do Haddad é uma das maiores calamidades na história da Educação do Brasil. Ele não conseguiu fazer durante três anos o Enem e, além de fracassar rotundamente, há agora licitações viciadas e que são investigadas pelo TCU", disse o tucano.

Ao comentar a reportagem, Haddad respondeu que determinou abertura de investigação sobre o caso e que foi ao Congresso prestar esclarecimentos.

Reforço. O PT mobilizou quatro ministros do governo federal, além do senador Eduardo Suplicy, para comandar oito minicomícios e quatro carreatas no fim de semana, todos na periferia, onde o PT tenta conquistar os votos obtidos por Celso Russomanno (PRB) no 1.º turno.

Marta Suplicy (Cultura), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miriam Belchior (Planejamento) acompanharam o petista ontem à tarde, além do candidato derrotado do PMDB, Gabriel Chalita, em visita ao Shopping Aricanduva, zona leste.

Hoje, Marta lidera minicomícios em Sapopemba e São Mateus (zona leste), Haddad, em M'Boi Mirim e Campo Limpo (zona sul) e Suplicy, em Brasilândia e Taipas (zona norte). O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, realiza eventos em São Miguel Paulista e Itaim Paulista (zona leste). Miriam Belchior vai concentrar os esforços do fim de semana em Santo André, em auxílio ao petista Carlos Grana.

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