Haddad tenta se colocar como o candidato 'anti-Doria'

A ideia é incentivar a militância na semana final da campanha e atrair o chamado "voto últil" de parte dos eleitores que pretendem votar em Marta Suplicy

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2016 | 00h04

Em um evento de campanha no bairro da Liberdade, na região central, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltaram suas criticas na noite desta terça-feira, 27, contra o candidato do PSDB, João Doria. O encontro reuniu dezenas de artistas e intelectuais que apoiam a candidatura do petista.

Haddad ironizou o fato de Doria ter comparado o fechamento da Avenida Paulista aos domingos com as avenidas Atlântica e Vieira Souto, no Rio de Janeiro, onde apenas uma pista é interditada para os pedestres. "Ele só esqueceu um pequeno detalhe que é a praia no Rio. Uma visão aguda, bastante perspicaz", ironizou o prefeito. 

Já Lula fez críticas duras ao tucano, sem cita-lo nominalmente, chegando a usar o termo "vagabundo" para contrapor a propaganda do PSDB que caracteriza Doria como  "João trabalhador". 

Segundo integrantes da campanha, o foco dos discursos de Lula e Haddad era a militância petista. A estratégia é colocar o prefeito como o "anti-Doria" para incentivar a militância na semana final da campanha. Além disso, a campanha petista espera atrair o chamado "voto últil" de parte dos eleitores que pretendem votar em Marta Suplicy (PMDB), que continua sendo o alvo preferencial do PT no rádio e na TV.

Estiveram presentes intelectuais e artistas de peso como o escritor Raduan Nassar, o guitarrista Edgard Scandurra e o crítico literário Roberto Schwarz. Outros como Chico Buarque, Daniela Mercury e Zélia Duncan gravaram vídeos em apoio ao petista. O crítico literário Antonio Cândido enviou uma carta. Durante o evento o escritor Fernando Morais e o jurista Pedro Serrano pediram a "unidade das esquerdas" para levar Haddad ao segundo turbno sem, no entanto, citar explicitamente a candidata do PSOL, Luiza Erundina. Morais disse que PT e PSOL deveriam "se entender" para terem candidaturas únicas em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde Jandura Feghali (PC do B, apoiada pelo PT) e Marcelo Freixo (PSOL) dividem os votos da esquerda.

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