Haddad tenta barrar disputa por cargo

Liderança nas pesquisas faz grupos do PT e aliados cobiçarem secretarias, mas candidato diz que só vai tratar do assunto após domingo

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2012 | 03h07

Líder nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de São Paulo, o petista Fernando Haddad afirmou ontem que "não admite" discutir a montagem de equipe de governo antes do resultado oficial da eleição, no domingo. Seus apoiadores já começaram, porém, a cobiçar cargos em caso de vitória. Haddad disse que não aceitará "interferências" na escolha da equipe, mas afirmou que o governo terá por base a coalizão.

"Não estou lidando com isso (formação do secretariado) e me recuso a lidar com isso. Nunca lidei com isso no Ministério da Educação, não vai ser agora que eu vou lidar", disse Haddad após visita à sede da Academia Paulista de Letras, no centro. "Isso tem um momento de fazer e antes de tudo o estabelecimento de critérios."

Haddad não revelou quais seriam esses critérios. O ex-ministro tende a preferir gestores com perfil técnico. Ele alegou que comentar o assunto durante a campanha seria "deselegância". "Eu vou anunciar depois da eleição. Quem vai definir os critérios sou eu", afirmou. "Vou escolher com o mesmo critério que compus minha equipe no MEC. Sem admitir interferências de outra ordem que não o interesse público."

Haddad disse que "foi anunciado desde janeiro", quando buscou partidos aliados, que adotaria um governo de coalizão. "Pretendo me espelhar na experiência do governo Dilma", afirmou. "Sobretudo o segundo mandato do governo Lula foi de coalizão e entendo que é um bom critério dividir responsabilidade com a cidade."

Além de Haddad, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desautorizou indicações de cargos, que vinham sendo debatidas pelas correntes do PT, como o Estado revelou na quarta-feira. Partidos aliados, como PC do B e PMDB, também já cobiçam cargos na Prefeitura.

'Alerta'. Em seu último ato público da campanha, Haddad acusou o adversário tucano, José Serra, de fazer "jogo sujo" e pediu aos militantes que fiquem em "alerta" até a votação.

"Hoje soubemos que há panfletos, telemarketing, jornais, nos acusando de coisas que nem o diabo imagina. Como ele não tem proposta, fica atacando os outros", afirmou. O ato reuniu ativistas da cultura e da educação e os ministros dessas áreas, Marta Suplicy e Aloizio Mercadante, na Casa de Portugal, no centro da capital.

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