Haddad rompe 'muralha' ao vencer em sete zonas eleitorais da área antipetista

Vantagem do prefeito eleito chegou a 46 pontos porcentuais nas regiões periféricas onde o PT ganhou as últimas três eleições majoritárias

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h01

Além de vencer em toda a periferia, o petista Fernando Haddad rompeu as muralhas da cidadela serrista e derrotou o adversário em 7 das 30 zonas eleitorais que integram a chamada área antipetista de São Paulo. No 1.º turno, o tucano José Serra havia vencido em 100% dessas zonas - as mais centrais e ricas da cidade.

Entre a primeira e a segunda etapa da disputa pela Prefeitura, a área vermelha do mapa eleitoral se expandiu de 26 para 35 zonas eleitorais, enquanto a azul encolheu de 32 para 23.

No total do eleitorado da zona antipetista, onde o PT perdeu as últimas três eleições, Serra venceu por 58% a 42%. Haddad ganhou por 73% a 27% na zona petista e por 59% a 41% na zona volúvel (leia texto ao lado).

O prefeito eleito conquistou áreas nas bordas do centro expandido nas zonas norte (Lauzanne Paulista), leste (Vila Matilde, Ponte Rasa e Cangaíba) e oeste (Rio Pequeno). Venceu ainda em uma zona central que não é marcadamente de alta renda: Santa Ifigênia.

Serra conseguiu manter seus principais redutos nas zonas oeste (Pinheiros, Perdizes, Lapa, Butantã), sul (Vila Mariana, Saúde, Santo Amaro) e leste (Tatuapé, Mooca, Vila Formosa).

O movimento observado agora é inverso ao ocorrido na eleição de 2008, quando, no 2.º turno, Gilberto Kassab (então no DEM) derrotou Marta Suplicy (PT) em áreas fora do centro expandido e confinou a petista nas zonas mais afastadas.

Ainda que Haddad tenha "invadido" áreas que tradicionalmente rejeitam o PT, os padrões de votação continuaram obedecendo a uma lógica socioeconômica. Quanto mais pobres e periféricos os bairros, maior foi a vantagem do prefeito eleito.

Ao fazer seu primeiro discurso ontem após a vitória, Haddad afirmou que pretende "derrubar o muro da vergonha que separa a cidade rica e a cidade pobre".

Contrastes. Parelheiros e Grajaú, na periferia da zona sul, foram as zonas eleitorais que deram as maiores margens de vitória para Haddad (84% a 16% e 82% a 18%, respectivamente). Já o candidato do PSDB colheu seus melhores resultados nos Jardins (88% a 12%) e Indianópolis (86% a 14%).

Parelheiros e Grajaú têm renda média por domicílio inferior a R$ 1.650. Nos Jardins e em Indianópolis e nos Jardins, esse indicador chega a R$ 5.165 e R$ 9.126.

A zona eleitoral onde a disputa foi mais equilibrada foi a de Vila Sabrina (norte), em plena área antipetista. O tucano teve 50,1% e o adversário, 49,9%.

Em 2010, quando disputou a Presidência contra Dilma Rousseff, Serra venceu em 32 das 57 zonas eleitorais no 1.º turno. No 2.º, conseguiu expandir sua área, ao virar o jogo em duas zonas: Sapopemba (leste) e Cidade Ademar (sul).

No decorrer da campanha do 1.º turno, Haddad teve dificuldade para deslanchar na periferia, área que o PT via como território livre de ameaças. Antes que o candidato do partido ficasse conhecido, porém, o ex-deputado e apresentador de TV Celso Russomanno (PRB) tomou o eleitorado potencial de Haddad. Segundo pesquisa Ibope concluída em 24 de setembro, Haddad tinha na época apenas 17% das intenções de voto na chamada zona petista. Era praticamente o mesmo apoio que ele angariava nas zonas tradicionalmente hostis ao PT (19%).

No início do mês, o nível de apoio ao petista começou a ficar maior na periferia em relação ao centro, tendência que se manteve até a decisão final.

O 2.º turno disputado ontem foi o sexto consecutivo no qual o PT comparece com um dos candidatos finalistas. Das seis disputas, o partido venceu apenas duas - com Haddad e com Marta Suplicy, em 2000, contra o ex-prefeito Paulo Maluf. / DANIEL BRAMATTI, JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, AMANDA ROSSI, DIEGO RABATONE e VICTOR BAPTISTA

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