Haddad recorre aos conselhos de Dilma

À espera da plena recuperação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, tem recorrido aos conselhos da presidente Dilma Rousseff. Em entrevista à TV Estadão - como parte de uma série com os pré-candidatos sobre eleições municipais -, o petista disse ontem que segue "à risca" as recomendações de Dilma e que a orientação principal é "resistir às agressões" dos adversários.

O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h01

"O desafio é não cair em pequenas armadilhas que desfoquem a atenção do cidadão", afirmou Haddad. O ex-ministro da Educação comparou sua situação à de Dilma, também estreante em disputas eleitorais em 2010. "Eu consulto muito a presidenta sobre os próximos passos, para saber como é que alguém que está estreando eleitoralmente se porta diante de situações novas, que foram novas para ela e são novas para mim."

Apesar da orientação constante de Dilma nos bastidores, o pré-candidato ponderou que, como presidente da República, ela dosará sua participação na campanha em São Paulo. "Ela é quem precisa saber da conveniência para seu governo quanto a manifestar apoio explícito à minha candidatura", observou.

Religião. Haddad manteve a linha de buscar semelhanças com Dilma em 2010 ao ser questionado sobre a resistência de setores religiosos à sua candidatura. Grupos evangélicos e católicos já começaram a pregar voto contra o petista.

"Você não pode misturar questões laicas, questões da cidade, com envolvimento com lideranças religiosas." O pré-candidato do PT condenou quem "usa a crença, a fé das pessoas para promover intolerância".

Tucanos. Haddad voltou a fazer críticas ao tucano José Serra e ao atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab (PSD). Em relação ao ex-governador, seu adversário na disputa em outubro, afirmou que tanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto o senador Aécio Neves (PSDB-MG) criticaram o tom da campanha em 2010. Sobre Kassab, atacou a "falta de foco" na gestão da cidade.

Ele provocou também o governador Geraldo Alckmin (PSDB) pelos problemas recentes nas linhas de trens e de metrô que cruzam a capital e pela demora na ampliação da rede. O petista condicionou a ampliação dos repasse de verbas municipais ao Estado para investimentos na rede metroviária a "um ritmo de obras mais acelerado".

"Quero pactuar com o Estado um cronograma de entrega: pago mediante entrega", afirmou. "Se atrasar a obra, recebe menos. Se adiantar obra, recebe mais." / DAIENE CARDOSO, GUILHERME WALTENBERG e IURI PITTA

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