Haddad quer reforma urbana aprovada em 2013 com ajuda do PSD de Kassab

Prefeito eleito aponta como prioridade mudanças na legislação tributária e de ocupação de solo; aproximação com antecessor já está em curso

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2012 | 02h05

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou ontem a intenção de aprovar já em 2013, seu primeiro ano de mandato, um pacote de projetos que envolvem mudanças na legislação tributária e de ocupação do solo. Trata-se do primeiro passo para que o petista promova a reforma urbana prometida em campanha.

Para isso, Haddad vai investir no apoio do PSD do prefeito Gilberto Kassab, cuja administração criticou com veemência e a quem chegou a chamar de "prefeito de meio expediente". O petista não exclui a possibilidade de abrigar a sigla em no seu secretariado.

Kassab, que apoiou José Serra (PSDB) e classificou Haddad de "péssimo ministro da Educação" na campanha, articula a formação de uma bancada própria na Câmara Municipal, por onde os projetos terão de passar.

A possível presença do PSD na base petista já deve entrar na pauta do encontro que ambos terão hoje, quando a transição "de alto nível" que prometeram terá início. A reunião ocorre dois dias depois de Haddad ter sido eleito sob a bandeira da mudança e logo após a visita à presidente Dilma Rousseff, em cujo governo Kassab vai embarcar a partir de agora.

Haddad disse que enviará à Câmara no primeiro semestre de 2013 o projeto de Plano Diretor e os de leis complementares, como a do zoneamento e o novo Código de Obras.

Contudo, ao mesmo tempo em que planeja os primeiros passos como prefeito, o petista terá de equacionar a formação de maioria no Legislativo para aprovar essas reformas.

O petista disse aguardar os entendimentos de Kassab com o PSB, mas afirmou não "ver hipótese de a bancada do PSD" lhe fazer "oposição sistemática". "Independentemente do rumo do PSD, as condições de diálogo estão dadas. Kassab manifestou desejo de ajudar a construir, de colaborar. Com independência, mas com abertura", disse Haddad, na primeira entrevista coletiva após a eleição.

À TV Globo, Haddad anunciou sua primeira ação de governo. "Minha primeira medida será dar ordem para a desapropriação de terrenos para a construção das 172 creches com recursos federais e dos 3 hospitais", disse.

Além da reunião com Kassab, o prefeito eleito encontra-se hoje com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), com quem disse querer firmar parcerias e "dividir o sucesso" delas. Haddad declarou que gostaria de levar adiante ações citadas pelo tucano José Serra nessa questão. "(Serra) chegou a divulgar que o governo do Estado teria terrenos disponíveis perto de estações da CPTM e do metrô para a construção de creches. Não é porque o Serra perdeu que eu não vou aceitar os terrenos", afirmou.

Maluf. Indagado se o deputado Paulo Maluf (PP-SP) poderia indicar nomes para a Secretaria de Habitação - área que o PP controla no governo federal e no Estado -, o petista respondeu: "Não trabalho com indicação de caráter pessoal". Ele afirmou que as tratativas com o PP vêm sendo feitas com o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, e desviou da pergunta sobre a presença de Maluf em seu discurso da vitória: "Trato todo mundo pelo mandato que tem. O Paulo Maluf é deputado. Trato a deputados e vereadores com a educação usual".

Haddad disse que, até o segundo ano de gestão, espera pôr em prática o Bilhete Único Mensal e o fim da taxa de inspeção veicular, duas promessas de campanha. / BRUNO LUPION, FERNANDO GALLO e RICARDO CHAPOLA

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