Haddad promete acabar com taxa criada por Kassab

De olho em temas que agradam à classe média, mais resistente ao PT, ex-ministro quer fim de cobrança por inspeção veicular

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2012 | 03h08

Para tentar romper com a agenda negativa que toma conta de sua pré-campanha há duas semanas e ao mesmo tempo dialogar com a classe média paulistana, tradicionalmente refratária ao PT, o pré-candidato Fernando Haddad prometeu ontem acabar com a taxa de inspeção veicular na cidade, se for eleito. É a primeira promessa de campanha do petista desde que ele anunciou a vontade de ser prefeito.

"Eu não entendo a cobrança dessa taxa de inspeção veicular. Essa taxa acaba, tem que acabar", sustentou Haddad, em entrevista à rádio Bandeirantes. O ex-ministro prometeu manter a exigência e aumentar a fiscalização dos carros que não a cumprem. "Ela não pega todo mundo. Tem 25% da frota que nem licenciamento faz. E não tem fiscalização", afirmou. "Em segundo lugar, tem muita gente licenciando o carro na região metropolitana. Aí, não paga a taxa de São Paulo."

A declaração de Haddad traz à tona o tema dos tributos municipais, caro ao eleitor de São Paulo e motivo de ataques sofridos pelo próprio PT na campanha à reeleição de Marta Suplicy, em 2004, por causa da criação das taxas do lixo e da luz. A oposição tucana apelidou a petista de "Martaxa".

Ao mesmo tempo, Haddad toca num tema sensível à gestão Gilberto Kassab (PSD). A Controlar, empresa responsável pela inspeção, foi alvo de operação do Ministério Público do Rio Grande do Norte por supostas fraudes na adoção do serviço no Estado. Entre os denunciados à Justiça em dezembro está o diretor-presidente da Controlar, Harald Peter Zwetkoff.

Em São Paulo, Kassab chegou a ter seus bens bloqueados pela Justiça paulista a pedido do Ministério Público, que entrou com ação civil pública contra o prefeito e a Controlar. Também foi denunciado o secretário municipal de Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV), que Kassab sugere como vice ao pré-candidato José Serra (PSDB). Em Janeiro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou a liminar que bloqueava os bens.

Haddad assinalou que, caso eleito, a manutenção do contrato com a Controlar dependerá da decisão judicial sobre o caso. "Todo contrato sob o qual há suspeita, ou a Justiça diz que está regular e encerra o assunto, e tem quer ser cumprido, sob pena até de a Prefeitura ter que pagar indenização, ou você fica liberado e refaz a licitação", afirmou.

Para o ex-ministro, a inspeção poderia ser bancada pelo repasse que a Prefeitura recebe do governo estadual relativo à arrecadação de IPVA. Segundo Haddad, o aumento dessa receita nos últimos anos é suficiente para pagar os custos da inspeção. "Em 7, 8 anos, o IPVA subiu de R$ 800 milhões para R$ 1,8 bilhão. Com o orçamento atual da prefeitura, a taxa é dispensável".

Coordenação. Haddad rebateu críticas de demora por não definir a coordenação de campanha. "Não conheço nenhum coordenador das outras campanhas. Essa pergunta não é feita a nenhum outro candidato."

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