João Ramos/Divulgação
João Ramos/Divulgação

Haddad pode anunciar ministros 'que tranquilizem a população', diz Jaques Wagner

Senador eleito pela Bahia nas eleições 2018 integra a coordenação da campanha do presidenciável petista 

Yuri Silva, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2018 | 18h18

SALVADOR - O ex-ministro e ex-governador Jaques Wagner (PT), senador eleito pela Bahia nas eleições 2018 e um dos coordenadores da campanha do candidato à Presidência Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira, 10, que nomes de ministros de um eventual governo petista podem começar a ser anunciados antes da eleição a fim de acalmar os eleitores desconfiados com o partido.

Segundo Wagner, essa preocupação tem sido demonstrada por Haddad e, por isso, as pastas da Educação, Fazenda e Justiça podem ter divulgados "nomes que tranquilizem a população", nas palavras dele. "Pode ser que ele anuncie um, dois, três nomes, na Educação, Fazenda, Justiça. (...) Na Educação, pode ser que anuncie uma sumidade da Educação", afirmou o ex-ministro.

Segundo ele, no caso da Educação, o anúncio teria a função de minimizar os impactos de fake news referentes, por exemplo, à implantação por Haddad do chamado "kit gay", cartilha sobre orientação de gênero assim batizada pela bancada evangélica, nas escolas.

Já na Justiça, afirmou, a divulgação do ministro de um possível governo Haddad teria a função de dar recados na área de segurança pública, uma  das mais debatidas nesta campanha por causa dos altos índices de violência e da preocupação dos eleitores, além de uma das principais bandeiras do candidato do PSL e capitão da reserva reformado Jair Bolsonaro.

O próprio Wagner defende posições mais duras na área, assim como o seu afilhado político e governador reeleito da Bahia Rui Costa (PT). Os dois conversaram com o presidenciável petista sobre o assunto e orientaram o endurecimento do discurso. "O discurso sobre segurança pública tem que ser duro, senão a população não acredita em você", disse.

O ex-ministro afirmou ainda que o perfil da equipe econômica do governo Fernando Haddad não é alinhado ao mercado financeiro. O nome ideal, afirmou, "pode ser de alguém da indústria ou algum desenvolvimentista", mas "seguramente não será alguém do mercado financeiro", porque "esse perfil do mercado a gente já conhece".

O ex-governador baiano voltou a desferir duras críticas contra o setor financeiro ao dizer que analistas da área especulam a partir de ondas para "encher o rabo de dinheiro". Ele mesmo, afirmou, está "de saco cheio" dessas especulações.

Wagner afirmou ainda que Haddad, como candidato, "tem que estar solto para ser candidato, não ficar sendo monitorado pelo PT". A declaração foi uma resposta a questionamentos sobre possíveis movimentos ao centro do postulante petista ao Palácio do Planalto.

Segundo Wagner, os diálogos políticos feitos até agora com legendas de centro têm como tema central "a defesa da democracia" e não a alteração do programa de governo do PT na disputa presidencial. Ele rejeita a ideia de que uma inflexão ao centro seja feita no programa até o final do segundo turno, alegando que não daria tempo para as mudanças.

"A ideia de que muita gente está vindo para a campanha não tem a ver com o programa de governo", disse. "O nível de conversa não será nem de negociar espaço no governo nem de alteração no programa."

Ele criticou duramente Bolsonaro, sem citar seu nome durante mais uma hora de conversa, chamando-o, por exemplo, de "candidato fake, que vive de fake news". Em outro momento, afirmou que o candidato do PSL é "valente fujão, valente de bravatas."

"Nenhum empresário com juízo vai botar dinheiro aqui com um governo dessa natureza, sem saber que regra está valendo. Talvez a gente vire um governo só do agronegócio. É a contramão do mundo inteiro", afirmou Jaques Wagner, que também criticou seu adversário local, o prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto, por ter declarado apoio à postulação presidencial de Bolsonaro nesta quarta-feira. "Eles têm identificação. Um fugiu da eleição para não perder e o outro foge dos debates", repetiu algumas vezes. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.