Haddad parte para ataque a Russomanno

Em comício, petista acusa adversário de não ter 'noção' de administração pública

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h05

O candidato Fernando Haddad (PT) desferiu ontem os mais fortes ataques ao líder das pesquisas, Celso Russomanno (PRB), desde que a campanha eleitoral pela Prefeitura de São Paulo começou.

"Ele (Russomanno) não fala que não tem partido, que não faz proposta, que não tem padrinho, não tem apoio, não tem nada", vociferou Haddad, em comício na Vila Brasilândia, periferia da zona norte. "É um candidato muito engraçado. Parece aquela casa do Vinicius de Moraes, não tinha teto, não tinha nada."

O candidato petista também criticou uma proposta de seu adversário do PRB de cobrar do cidadão pelo uso do ônibus de acordo com a distância percorrida. "Sou capaz de apostar que não é por mal", afirmou. "Não é para favorecer o rico e prejudicar o pobre. É porque a pessoa não tem noção da coisa. Não conhece a administração pública."

Haddad também disparou contra o tucano José Serra, mas os ataques mais fortes foram feitos contra Russomanno, que lidera em redutos tradicionais do partido, sobretudo nas áreas mais afastadas do centro.

O petista citou Russomanno nominalmente diversas vezes, o que vinha evitando fazer, e em todas criticou o adversário pela falta de propostas. O petista sustentou que o candidato do PRB não sabe quantos CEUs, corredores de ônibus, escolas e hospitais fará na cidade. "Vocês (militância) não sabem, eu não sei, mas tem uma coisa pior: ele não sabe", afirmou. "Se você perguntar quantos leitos de hospital ele vai criar, ele vai dizer 'a minha equipe está estudando'. Só que estão estudando há seis meses e a eleição é daqui a 15 dias."

Haddad usou mais uma vez contra o tucano José Serra o fato de ele ter deixado seu mandato de prefeito antes da metade. "O Serra quer voltar a ser prefeito, não sabemos por mais quanto tempo. Provavelmente por mais um ano", disse.

Mais cedo, em entrevista ao SPTV, da Rede Globo, o petista afirmou que o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal constrange toda a classe política. Ele disse esperar punição a quem errou, mas ressaltou que a Justiça deve julgar todos os casos. "O mensalão do PSDB é muito anterior, é de 1998", afirmou, em referência ao escândalo que envolveu Eduardo Azeredo, então governador de Minas.

José Serra contra-atacou: "O Judiciário deve julgar todos os partidos políticos, mas neste momento está julgando os amigos dele (Haddad). O Zé Dirceu é o guru dele." / FERNANDO GALLO, ROBERTO LIRA e RODRIGO PETRY

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