Haddad mantém 49%; Serra oscila para cima e vai a 36%, aponta Ibope

Diferença entre os dois candidatos cai de 16 para 13 pontos; semana foi marcada pelo debate sobre as parecerias na rede de saúde municipal, após troca de farpas sobre kit anti-homofobia

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2012 | 03h03

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, oscilou três pontos porcentuais para cima, de 33% para 36%, na última pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, enquanto o petista Fernando Haddad manteve sua taxa, de 49%. Com isso, a diferença entre os dois caiu de 16 para 13 pontos em uma semana.

Em votos válidos - cálculo que exclui os eleitores que pretendem votar nulo ou em branco -, os índices de Haddad e Serra agora são de 57% e 43%, respectivamente. Na pesquisa anterior do Ibope, divulgada na quarta-feira da semana passada, esse placar estava em 60% a 40%.

Nos últimos dias, Serra passou a atacar seu adversário com base nas propostas do programa de governo do PT em relação ao setor de saúde. O tucano afirma que Haddad quer acabar com as parcerias entre a Prefeitura e as entidades privadas que administram hospitais da Prefeitura e postos de assistência ambulatorial (as chamadas AMAs). O petista nega que vá romper contratos em vigor com organizações sociais (OS).

Nas áreas mais periféricas da cidade, onde há concentração maior de usuários de serviços públicos de saúde, as taxas de intenção de voto em Haddad não variaram na última semana - um indício de que, ao menos por enquanto, as críticas do tucano ao adversário não surtiram efeito.

O resultado mostra também que o petista não sofreu prejuízos imediatos com a condenação de ex-integrantes da cúpula do PT por formação de quadrilha, no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão foi tomada pelos ministros da Corte na segunda-feira.

Apenas parte das entrevistas do Ibope, porém, foi feita depois da decisão do STF - ou seja, um eventual efeito negativo para o petista pode não ter sido captado no levantamento do instituto.

Expectativa. A mudança mais significativa em relação à pesquisa anterior ocorreu no quesito expectativa de vitória. Agora, 58% dos paulistanos entrevistados pelo Ibope acreditam que Haddad será o próximo prefeito da capital paulista - eram 52% na semana passada e 45% na primeira pesquisa do 2.º turno. Para 31%, é Serra o favorito - cinco pontos porcentuais a menos do que no dia 17 de outubro.

Dos entrevistados pelo Ibope, 83% afirmam que sua opção de voto é definitiva, e 13% admitem mudar. Os 4% restantes não souberam responder.

A pesquisa mostra que a cidade continua dividida em termos geográficos. Na chamada zona petista, onde o partido ganhou as últimas três eleições para prefeito, governador e presidente, além do 1.º turno da disputa atual, Haddad lidera por 60% a 26% (veja mapa).

Na zona antipetista, onde a legenda perdeu a disputa em 2008 e 2010, é Serra quem está na frente: 46% a 38%.

As zonas petista e antipetista concentram cerca de 40% e 50% do eleitorado da cidade, respectivamente. Os restantes 10% estão nas zonas volúveis, onde o PT ganhou pelo menos uma vez nas últimas três eleições. Lá, Haddad também leva vantagem: 54% a 31%.

Segundo o Ibope, o candidato petista conquistou 61% dos eleitores que afirmam ter optado no 1.º turno por Celso Russomanno (PRB), terceiro colocado na disputa. O tucano, por sua vez, herdou 20% desses votos. Dos eleitores de Gabriel Chalita (PMDB), 48% agora escolhem Haddad e 35%, Serra. Russomanno obteve 21,6% dos votos válidos. Chalita, o quarto colocado, teve 13,60%.

Segmentos. Na segmentação do eleitorado por renda, escolaridade e idade, o candidato do PSDB está na frente apenas entre os que ganham mais de cinco salários mínimos por mês, cursaram a universidade e têm acima de 50 anos.

Haddad vence por 23 pontos porcentuais entre os que ganham de um a dois salários mínimos (54% a 29%) e por 61% a 30% entre os que estudaram da 5.ª à 8.ª série - são os melhores resultados do petista.

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