Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Haddad lança programa de governo e promete ‘redesenhar’ SP

Candidato do PT à prefeitura apresentou programa com ações divididas em áreas espalhadas da cidade para incentivar descentalização do desenvolvimento

Daiene Cardoso, da Agência Estado

13 Agosto 2012 | 14h32

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, apresentou nesta segunda-feira, 13, o seu programa de governo baseado num replanejamento urbanístico da cidade. Chamado pelo marqueteiro João Santana de "arco do futuro", o projeto descentraliza a lógica urbanística da cidade fazendo com que moradia e emprego girem em torno do novo eixo que começa na Avenida Cupecê (Zona Sul), seguindo pelas marginais Pinheiros e Tietê e fechando na Avenida Jacu Pêssego (Zona Leste), fazendo fronteira com as cidades da região metropolitana. Para isso, o plano prevê um investimento de R$ 20 bilhões em obras viárias nos próximos quatro anos com a ajuda maciça do governo federal. "Está todo mundo, todos os dias, indo para os mesmos lugares. É como se todo o Uruguai fosse para o centro expandido", diagnosticou o petista.

 

De acordo com o candidato, o "arco do futuro" é um projeto de desenvolvimento inédito na cidade que rompe com o modelo de 80 anos de Prestes Maia, onde a metrópole se divide em cidade dormitório e área de trabalho. "Nunca ninguém apresentou uma proposta de redesenho urbano como nós estamos apresentando. É a primeira vez que rompemos com o paradigma de Prestes Maia", afirmou o candidato.

 

A ideia do PT é usar estímulos fiscais para atrair as empresas para as regiões do arco. O candidato promete reduzir de 5% para 2% o ISS das empresas que forem para essas regiões e ainda avalia zerar o IPTU das iniciativas que se deslocarem das regiões de maior para menor demanda imobiliária. "Ninguém vai morar mais em bairro dormitório", garantiu o candidato. "O projeto promove a descentralização do desenvolvimento da cidade de maneira a levar esperança para a população do extremo sul e leste de forma que eles terão uma cidade ao seu alcance", completou. De acordo com Haddad, somente 20% das subprefeituras oferecem 2/3 das ofertas de emprego da cidade, o que provoca grandes deslocamentos diários e congestionamentos que tornam a cidade, em sua visão, desequilibrada e insustentável.

 

No plano estratégico petista, todos os projetos de educação, saúde e cultura da cidade seguirão essa visão de desenvolvimento urbano tirando o foco das regiões do centro e Avenidas Faria Lima, Paulista e Engenheiro Luiz Carlos Berrini. Assim, as subprefeituras voltarão a ser descentralizadas e passarão a administrar "pequenas cidades".

 

Transportes. O plano petista prevê a construção de 150 km de corredores de ônibus em faixas exclusivas, além do já divulgado bilhete único mensal e semanal. "Tem no mundo inteiro, mas aqui é um retrocesso (a proposta)", ironizou o candidato, numa referência às críticas do PSDB em relação ao projeto. Haddad disse que por não ter "preconceito com parceria" gostaria de ter a CPTM e o Metrô integrados na proposta. "Não custa nada para o metrô e os trens se integrarem ao bilhete único mensal", afirmou.

 

O candidato ressaltou que pretende manter a parceria na construção de novas linhas, mas que vai exigir contrapartida. "Não é justo ficar só na parceria, vamos marcar data (para a entrega das obras)", avisou. "Nós vamos oferecer os recursos. Agora diz não (para a parceria com a prefeitura) e explica para a população porque ela vai ficar no ritmo tucano de governar", respondeu, sobre a possibilidade de o governo estadual recusar o apoio financeiro do governo municipal.

 

Se eleito, Haddad vai sugerir ao governo estadual a extensão da Linha 3-Vermelha do metrô da Barra Funda à Lapa, ajuda financeira para a integração subterrânea entre as estações Barra Funda e Brás, antecipação da inauguração da estação Pirituba da Linha 6-Laranja do Metrô, a extensão da Linha 2-Verde da Vila Madalena até Cerro Corá e a ampliação da linha 5-Lilás de Capão Redondo até o Jardim Ângela.

 

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