Haddad 'exclui' tucano do segundo turno

Candidato do PT à Prefeitura de São Paulo afirma em entrevista que eleitores do município vão escolher entre dois nomes da 'mudança'

BRUNO LUPION, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2012 | 03h07

Agenda. A candidata Soninha Francine (PPS) reuniu-se ontem com lideranças comunitárias e religiosas

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou ontem que o segundo turno das eleições municipais será travado entre duas candidaturas com viés de mudança. A previsão exclui da etapa final do pleito seu adversário tucano, José Serra, apoiado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD).

"Hoje a população está entre mudar ou não mudar, mas no segundo turno estará entre para onde mudar", disse o petista, após encontro com empresários da região de Itaquera, zona leste da capital. Haddad também afirmou que o debate no segundo turno será mais "qualificado", pois os candidatos, em vez de tecerem críticas à atual administração, estarão livres para discutir seus planos de governo.

O petista disputa a segunda posição nas pesquisas de intenção de voto com Serra, com quem está empatado tecnicamente. Segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem, Haddad subiu dois pontos e tem 16% das intenções de voto e Serra, que perdeu um ponto, tem 21%. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos. O candidato do PRB, Celso Russomanno, está isolado na primeira posição, com 35%.

A campanha petista adotou como estratégia poupar Celso Russomanno de ataques e escolheu Serra como alvo. Em inserções veiculadas na televisão desde anteontem, o PT critica o abandono da Prefeitura pelo tucano em 2006, quando Serra deixou o cargo para concorrer ao governo do Estado.

"Sabe aquele candidato que abandonou a Prefeitura no meio do mandato? Que deixou um vice para tomar conta da cidade? E que tem costume de pular de galho em galho? Tá aí mais uma vez, querendo se passar pelo novo", diz uma inserção de 30 segundos, que compara Serra a um gramofone antigo.

Pesa a favor de Russomanno o fato de seu partido integrar a base de apoio da presidente Dilma Rousseff, o que confere a ele certa proteção contra ataques de Fernando Haddad.

Haddad minimizou sua queda das intenções de voto no universo dos eleitores que se dizem simpatizantes do PT, que representam 24% do eleitorado. Nesse segmento, Russomanno cresceu de 29% para 33% e Haddad caiu de 40% para 37%, no período de uma semana.

"Está dentro da margem de erro, e nossos levantamentos apontam que há um eleitorado petista que ainda não tomou conhecimento nem do programa eleitoral nem do plano de governo", avaliou o petista.

Arco do futuro. Aos empresários que participavam do encontro, Haddad detalhou seu projeto para fomentar um eixo de desenvolvimento, em formato de arco, que se inicia na Avenida Cupecê, zona sul, na divisa com Diadema, sobe pela Marginal dos Pinheiros, percorre a do Tietê e corta a zona leste pela Avenida Jacu Pêssego.

O chamado "Arco do Futuro" teria como objetivo descentralizar as oportunidades de emprego pela cidade para evitar o deslocamento de milhões de pessoas diariamente. Tem custo estimado de R$ 20 bilhões para quatro anos, que seriam bancados pela Prefeitura, parcerias com o governo federal e operações urbanas.

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