Haddad 'estreia' na TV com vereadores

PT aproveita brecha na lei e ex-ministro, que disputa a cadeira de prefeito, aparecerá hoje no programa dos candidatos à Câmara Municipal

O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h08

O horário eleitoral fixo de rádio e televisão estreia hoje com espaço destinado à propaganda dos vereadores, mas o PT de São Paulo vai aproveitar a ocasião para colocar em evidência seu candidato à Prefeitura, Fernando Haddad.

Diferentemente dos principais adversários, o petista aparecerá pedindo votos para candidatos de sua coligação à Câmara Municipal - uma brecha prevista na própria Lei Eleitoral.

A campanha do PSDB não pretende se valer dessa possibilidade, ao menos agora - o tucano José Serra só deve estrear amanhã no horário fixo. Advogados do PSDB verificarão hoje se Haddad usará o tempo dos vereadores para promover a si próprio, o que é vetado pela legislação.

Celso Russomanno, do PRB, também não aparecerá hoje no horário dos candidatos à Câmara, segundo informaram representantes de campanha.

Todos os concorrentes à Prefeitura, porém, estarão desde hoje nas inserções distribuídas ao longo dos blocos de propaganda comercial das emissoras de rádio e TV. Serão 30 minutos diários em cada emissora, divididos entre todos os candidatos de forma proporcional - as coligações maiores ficam com mais tempo.

Vantagem. Somados horário fixo e inserções, Serra e Haddad ocuparão, nos primeiros sete dias de campanha, quase uma hora e 40 minutos em cada emissora. Ambos ficaram com o mesmo quinhão na divisão do tempo de propaganda, pois suas coligações empataram no quesito representação na Câmara dos Deputados. Segundo a Lei Eleitoral, o número de parlamentares baliza a divisão de dois terços da propaganda, e o terço restante é distribuído igualitariamente entre todos os concorrentes.

A partir de hoje, a alta exposição dos principais adversários será o maior desafio para Russomanno em sua tentativa de chegar ao segundo turno e vencer a eleição paulistana. O candidato do PRB é um dos líderes das pesquisas eleitorais, mas está em quarto lugar no ranking de tempo de propaganda em São Paulo.

Apenas na primeira semana, Russomanno terá cerca de uma hora e dez minutos a menos que Serra e Haddad, em cada emissora de rádio e TV, somados o horário fixo e as inserções.

O tucano e o petista terão cerca de 3,5 vezes mais tempo de propaganda que o apresentador de TV. Serra usará esse tempo para expor sua biografia e apresentar suas propostas de governo, além de promover seu jingle de campanha. O PSDB já gravou nove inserções com esses temas para veicular no começo da campanha televisiva.

Para o PT, o tempo de exposição será decisivo para tornar seu candidato mais conhecido e para associá-lo aos nomes de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff - daí a decisão de promover hoje a "invasão" do horário dos vereadores.

Com apenas 9% de intenção de voto e atrás de Serra e Russomanno, segundo a última pesquisa Ibope, Haddad está longe dos patamares atingidos por petistas em outras campanhas em São Paulo. Desde 1988, o partido ficou em primeiro ou segundo lugar em todas as disputas realizadas na cidade e venceu a eleição naquele ano e em 2000.

Candidatos a prefeito podem aparecer nos programas dos candidatos a vereador de suas coligações, mas somente para pedir votos para os próprios vereadores, segundo a Lei Eleitoral e a resolução 23.370 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso contrário, a candidatura pode ser punida com a perda de tempo no horário a que tem direito.

Mensalão. Além de vigiar a campanha petista para evitar que Haddad faça propaganda no horário dos vereadores, a equipe de advogados da campanha de Serra quer saber se os juízes eleitorais vão considerar possíveis menções ao mensalão na propaganda eleitoral como ataques ao PT, o que poderia gerar direito de resposta. O candidato tucano não pretende citar o escândalo em seus primeiros programas. / BRUNO LUPION, BRUNO BOGHOSSIAN, JULIA DUAILIBI e DANIEL BRAMATTI

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