Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Haddad entra mais na campanha e PT aposta em avaliação melhor

Prefeito grava programas e aproveita para expor realizações da gestão; tática é reduzir rejeição e, com isso, ajudar Dilma

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2014 | 03h00

Ao seu estilo, longe dos holofotes, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), tem participado efetivamente da campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff. Para o PT, Haddad é peça fundamental na estratégia de tentar melhorar o desempenho de Dilma no maior colégio eleitoral do País e pode aproveitar a disputa eleitoral para expor suas realizações e melhorar sua avaliação, em baixa desde junho do ano passado.

Nesta quinta-feira, 18, Haddad liberou o secretário municipal de Relações Institucionais, Paulo Frateschi, para se dedicar à campanha até o final da disputa. Além disso, o prefeito tem estimulado auxiliares a participarem de atividades de campanha.


Na quarta-feira à noite, 150 funcionários de alto escalão da Prefeitura, entre eles a vice-prefeita Nádia Campeão e vários secretários, estiveram em plenária da candidatura de Dilma. Servidores das Secretarias das Mulheres, do Trabalho e da Educação que apoiam a presidente fizeram reuniões de mobilização e funcionários aproveitam o horário de almoço para panfletar e fazer campanha pró-Dilma.

Haddad grava participações no programa de TV de Dilma e participa de eventos nos fins de semana. No domingo, estará numa “bicicletada” ao lado do candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha. Segundo petistas, ele se comprometeu a fazer panfletagens nas estações de metrô da região central depois do expediente. 

Por outro lado, o PT e seus candidatos têm usado os espaços de campanha para defender a gestão Haddad. Nesta quinta, Padilha disse que não vai “arredar um palmo” da política do prefeito de ampliar as ciclovias.

“Neste processo o Haddad vem crescendo muito, tanto na avaliação da Prefeitura quanto na contribuição para a campanha da Dilma”, disse o coordenador do comitê da presidente em São Paulo, Luiz Marinho.

Nesta quinta, Haddad participou de um almoço com lideranças petistas em uma churrascaria na região de São Mateus, na zona leste. Deveria ser um ato de mobilização eleitoral, mas, ao ver a reportagem do Estado, o prefeito recuou. “Não é campanha. Estamos criando 3 mil empregos aqui hoje”, disse.

Diante de cerca de 120 convidados do PT ávidos por um comando do prefeito - e pelo menos outros 120 fregueses da churrascaria -, Haddad não fez uma referência sequer à corrida eleitoral e usou o microfone apenas para defender o programa de incentivos fiscais para geração de empregos na zona leste. “Precisamos criar uns 100 mil empregos aqui, porque, mesmo com mais metrô e mais ônibus, não vai dar conta do desafio da mobilidade.”

Exaltado. Nesse momento, Haddad foi interrompido por Paulo Corrêa, de 27 anos, morador da região. “Onde tem mais metrô aqui na cidade?”, questionou Corrêa, enquanto se servia no buffet de saladas. 

Haddad tentou explicar que o metrô é responsabilidade do governo estadual, mas Corrêa, exaltado, insistia. Haddad quase perdeu a esportiva. “Você não sabe o que está falando. Mas isso não é culpa sua.”

Segundo a vereadora Juliana Cardozo (PT), embora Haddad não admita, o almoço deveria ser um evento de campanha. “Foi um evento para pedir organização na campanha. Ele (Haddad) não precisou falar isso no microfone, mas foi falando com cada um”, explicou.

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