Haddad e Serra trocam ataques sobre aliados e travam duelo na área da saúde

Petista critica Kassab e 'privatização' de leitos estaduais do SUS; tucano liga oponente a Dirceu e diz que ele vai romper contratos de OS

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h37

No primeiro debate do segundo turno da campanha eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, na TV Bandeirantes, os candidatos Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) exploraram as ligações políticas um do outro - José Dirceu e Gilberto Kassab foram citados em quase todos os blocos - e travaram um duelo na área da saúde.

Líder nas pesquisas, Haddad explorou o fato de o governador Geraldo Alckmin (PSDB), aliado de Serra, ter apresentado projeto que reserva 25% das vagas de hospitais públicos geridos por Organizações Sociais (OS) para o atendimento via planos de saúde - a aplicação da lei, aprovada na Assembleia, foi suspensa na Justiça. Nesse contexto, usou uma antiga arma do PT contra os tucanos: disse que o adversário apoia um plano que "privatiza" a saúde pública.

Já o tucano afirmou que Haddad vai acabar com as parcerias da Prefeitura com as OS. Esse modelo teve início no Estado, na gestão Mario Covas, e foi adotado no Município por Serra, para administrar hospitais e unidades como as AMAs (Assistência Médica Ambulatorial), projeto tucano que virou marca também da gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Trata-se de uma estratégia que deve ser bastante usada pelo comitê serrista até o dia 28 de outubro (mais informações na pág. A9).

Serra disse que o fim das OS está "implícito" no programa de governo do candidato petista. Afirmou ainda que o ex-deputado José Dirceu encabeçou uma representação no Supremo Tribunal Federal para acabar com as parcerias entre órgãos públicos de saúde e as entidades privadas.

Haddad negou que vá acabar com as parcerias. "Pelo amor de Deus, Serra, para de citar pessoas que não estão disputando a eleição, para com essa obsessão", disse, referindo-se à estratégia do adversário de relacioná-lo a todo momento a Dirceu, condenado pelo Supremo por corrupção ativa no julgamento do mensalão.

O candidato do PT, em diversos momentos, trouxe a administração de Kassab para a discussão. Acusou o prefeito de não ter entregue três hospitais públicos prometidos. O tucano rebateu afirmando que a gestão de Marta Suplicy (PT), que foi sua antecessora na Prefeitura, também não entregou dois hospitais.

No início do debate, Serra relacionou programas sociais que implantou ou idealizou - remédios genéricos, seguro-desemprego, mutirões de saúde - e questionou Haddad se eles seriam voltados para os pobres ou para os ricos. "O PT, na televisão, fica dizendo que a gente trabalha para rico." Haddad não deu uma resposta direta e preferiu atacar a atuação do tucano na área social. Afirmou que diversos programas que Serra exibe como trunfos foram implantados com ajuda do governo federal - citou como exemplo a expansão de escolas técnicas. Em resposta, o tucano afirmou que a participação federal é "ínfima".

Haddad convocou Serra a firmar um "protocolo" para discutir apenas propostas, e evitar ataques. "Tenho ouvido nas ruas muitas queixas a respeito da truculência e da virulência da campanha. Devemos fazer um esforço para discutir propostas e deixar a truculência e as insinuações de lado."

"Tudo o que eu quero é fazer uma campanha propositiva", respondeu Serra. "Se tem um partido que é especialista em baixarias é o PT, que faz jogo baixo. É uma tática fenomenal, atacam e depois dizem que estão sendo atacados. É o estilo Zé Dirceu."

Haddad disse que os tucanos apresentam o ritmo mais lento de construção de metrô no mundo. "São menos de dois quilômetros de linhas por ano."

Quando Haddad afirmou que acabará com a taxa de inspeção veicular, Serra atacou, dizendo que ele vai "estatizar" o serviço. "Mesmo quem usa ônibus vai ter que pagar a taxa." Serra chamou Haddad de "corajoso" por trazer o tema ao debate, uma vez que ele teria sido o criador da taxa do lixo, quando atuou na gestão Marta. / BRUNO BOGHOSSIAN, FERNANDO GALLO, JULIA DUAILIBI, VERA ROSA, DANIEL BRAMATTI, ISADORA PERON e DÉBORA ÁLVARES

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