Haddad e Serra priorizam propostas no debate de encerramento da eleição

Tucano cita mensalão em três oportunidades, mas discussão sobre gestão da cidade e projetos para o futuro de São Paulo predomina

O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2012 | 03h01

Os candidatos Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) seguiram o mantra do adversário derrotado ainda no 1.º turno, Celso Russomanno (PRB), e decidiram "falar sobre São Paulo" no debate da TV Globo, que encerrou a campanha ontem.

Os tradicionais embates sobre mensalão do PT e mensalão mineiro foram tema de apenas uma pergunta no encontro, quando ambos foram instados pelo sorteio de temas a falar sobre corrupção. Serra ainda citou o escândalo que envolve o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu em duas outras oportunidades. Mas as questões da gestão municipal, no fim, acabaram por dominar o encontro final dos adversários.

O tom ficou entre os duros ataques feitos pelas campanhas à tarde e o clima "paz e amor" dos programas eleitorais gratuitos de TV transmitidos horas antes.

No primeiro bloco, com tema livre, Haddad desafiou o tucano a fazer um balanço da administração Gilberto Kassab (PSD) e apontar "as grandes obras que entregou nos últimos quatro anos". Serra lembrou que Kassab foi eleito com 61% dos votos concorrendo com a petista Marta Suplicy.

A habitação foi, então, debatida, seguida de temas como transportes e saúde. Os candidatos repetiram suas promessas sobre esses temas. Haddad foi mais duro nas intervenções, a ponto de Serra, em certo momento, afirmar: "Você está muito nervoso, muito agressivo". O petista respondeu, referindo-se à situação da cidade: "O que você nota de nervosismo é indignação".

O debate sobre transportes confrontou os planos dos adversários. Serra destacou sua intenção de manter os investimentos no metrô. "A Prefeitura investiu R$ 1 bilhão no metrô. A gestão Marta investiu R$ 1", criticou o candidato tucano.

Haddad falou em investimentos no metrô, mas deu destaque aos corredores de ônibus. "Nos últimos quatro anos não foi construído nenhum dos 66 quilômetros de corredores prometidos por você e pelo Kassab", afirmou o petista. "Quero investir no metrô, mas mediante contrapartida, não repassar dinheiro para o metrô investir no sistema financeiro. Não vamos deixar o metrô parado, não tem nenhum tatuzão operando em São Paulo."

Corrupção. O segundo bloco começou com o mensalão, a partir do sorteio do tema pelo mediador do debate, César Tralli. Serra pediu a Haddad que explicasse como a cúpula do PT foi considerada culpada por desvio de dinheiro público para a compra de votos e condenada. O petista respondeu que o tucano estava mais habilitado para dar a resposta. "Quem engendrou tudo isso foi a cúpula de seu partido", afirmou, referindo-se ao mensalão mineiro.

Serra insistiu, lembrando que o volume do dinheiro desviado, em valores atuais, se aproximaria de R$ 200 milhões - quantia suficiente para a construção de 400 ambulatórios médicos na cidade. Haddad respondeu novamente no ataque, lembrando o caso de Hussain Aref Saab, funcionário da Prefeitura de São Paulo, acusado de corrupção - Aref foi nomeado por Serra.

"O presidente Lula nomeou 8 dos 10 ministros que julgaram. Nomeou o procurador-geral. Você vem falar de valores? Um único funcionário que você nomeou na Prefeitura angariou 500 milhões apenas", afirmou.

Os candidatos, logo depois, retomaram o debate de temas da cidade. Os transportes voltaram à pauta e a discussão sobre os modelos de bilhete único de cada um dos candidatos se iniciou. Serra propõe um bilhete único de ônibus que valha por seis horas - hoje, dura três horas.

Já Haddad propõe um modelo que permite o uso indeterminado da passagem por um mês. O candidato do PT afirmou que a ideia do adversário, apresentada nesta semana, foi copiada do candidato derrotado Levy Fidelix. "Ele anda se consultando com o Levy Fidelix, de olho nas pesquisas de opinião", disse o petista. Serra respondeu que tirou a ideia "da cachola". O petista emendou na tréplica: "Da cachola do Levy Fidelix."

Saúde de novo. Ao voltar a debater questões de saúde, Serra provocou: "Você talvez não tenha familiaridade com as coisas da saúde." O petista retrucou. "Serra, você quer falar de leitos? Vocês querem vender 25% dos leitos para os planos de saúde. Vocês não têm projeto para a cidade de São Paulo." Ainda falando sobre saúde, a discussão sobre as parcerias com as organizações sociais voltou à pauta.

Serra acusa o adversário de querer acabar com os contratos firmados com entidades sem fins lucrativos. Haddad nega.

O tema mensalão voltou à fala de Serra no último bloco do programa. Haddad preferiu não responder às críticas. / BRUNO BOGHOSSIAN, FERNANDO GALLO, JULIA DUAILIBI, FAUSTO MACEDO, ROLDÃO ARRUDA, RICARDO CHAPOLA, DÉBORA ÁLVARES e ISADORA PERON

Tudo o que sabemos sobre:
eleições 2012HaddadSerra

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.