Haddad e Serra chegam às urnas após 2º turno marcado por ataques mútuos

Disputa pelo comando da maior cidade do País nos próximos quatro anos simboliza a polarização nacional entre petistas e tucanos

O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h09

O eleitor paulistano vai às urnas hoje, depois de uma campanha de 2.º turno marcada por acusações mútuas, boatos e debates agressivos entre os candidatos Fernando Haddad e José Serra. A dupla personifica em São Paulo a polarização nacional entre PT e PSDB.

A importância de São Paulo para os dois partidos colocou em cena não apenas os dois candidatos, mas outros atores interessados nas eleições que serão realizadas daqui a dois anos. Pelo PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff apostaram em Haddad como forma de derrotar a oposição em seu reduto mais forte.

Pelo PSDB, o governador Geraldo Alckmin, que concorrerá à reeleição em 2014, se empenhou no auxílio a Serra para evitar o fortalecimento petista no principal colégio eleitoral do Estado.

O tom beligerante entre as duas candidaturas teve o seu ápice na tarde de sexta-feira, quando a campanha de Serra chamou Haddad de "delinquente", numa reação a cartazes apócrifos espalhados pela cidade nos quais o tucano aparece em uma foto com uma arma na mão.

Já o petista afirmou que o adversário usa de "violência". No dia anterior, uma mensagem espalhada na internet dizia que o Enem havia sido cancelado de novo. Na verdade, se tratava de uma notícia de 2009, quando isso de fato ocorreu. O petista acusou o tucano de espalhar o boato.

O clima tenso arrefeceu apenas à noite, no debate de encerramento da campanha, quando, apesar de um ou outro ataque sobre corrupção, prevaleceram as propostas e a discussão sobre a administração da cidade.

As pesquisas de intenção de voto apontam vantagem para Haddad, cuja candidatura foi ideia de Lula. O ex-presidente apostou alto, tirando de campo aquela que era considerada a candidata natural ao posto: a ex-prefeita petista Marta Suplicy. Dilma também entrou em campo agraciando a senadora com o cargo de ministra da Cultura bem em meio à campanha eleitoral municipal.

Haddad chegou ao 2.º turno após ultrapassar na reta final o candidato Celso Russomanno (PRB), apostando na crítica a uma proposta do adversário a respeito dos transportes: a cobrança da passagem de ônibus por quilômetro rodado na cidade. A ideia de Russomanno foi mal recebida principalmente na periferia, onde a população interpretou o projeto como algo que prejudicaria os mais pobres.

No 2.º turno, foi Serra, em desvantagem nas pesquisas, que buscou uma maneira de fazer o adversário petista perder apoio. Primeiro, o tucano apostou na exploração do kit anti-homofobia produzido pelo governo federal quando Haddad era ministro da Educação. A má receptividade às críticas fez o candidato abandoná-las. A segunda aposta de Serra foi dizer que o petista pretende, se eleito, acabar com as parcerias com organizações sociais privadas na área da saúde.

O argumento colocou o petista na defensiva. Ele usou vários de seus programas na TV para rebater a crítica e dizer que não vai acabar com as parcerias. Por fim, o tucano lançou um projeto de transportes para tentar contrapor a proposta petista de criar um Bilhete Único mensal. Serra prometeu criar um modelo de viagens por meio de uma única tarifa pelo período de seis horas.

Na noite de hoje, as urnas mostrarão quem acertou e quem errou na tática para conquistar o voto do paulistano, para administrar a maior cidade do País pelos próximos quatro anos.

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