Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Haddad diz que insistência na candidatura de Lula não prejudica transferência de votos

Em ato no ABC paulista, o ex-prefeito de São Paulo afirmou que partido vai continuar defendendo 'o que é certo'

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2018 | 16h00

SÃO BERNARDO DO CAMPO - O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) declarou, nesta quarta-feira, 5, que não teme comprometer a transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja candidatura foi barrada pela Justiça Eleitoral, ao arrastar a estratégia jurídica que insiste na candidatura de Lula ao Planalto.

"Não, não temos temor. Nós temos coragem de defender o que é certo", disse Haddad, ao ser perguntado se não teme que não haja tempo hábil para a transferência de votos de Lula para ele, que deve substituir o ex-presidente na cabeça da chapa presidencial. O ex-prefeito fez uma rodada de visitas a portas de montadoras e fábricas de autopeças no ABC paulista.

O PT aguarda o julgamento de um pedido de liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a candidatura de Lula. Se a decisão não for favorável ao ex-presidente, a legenda se prepara para anunciar a substituição até o próximo dia 11. 

"Se conseguirmos a liminar, o Lula estará nas urnas e a vida segue", afirmou Haddad. Se a liminar for negada por um ministro, ele citou a possibilidade de recorrer ao plenário do STF, a quem disse caber a palavra final. "Só o Supremo para desacatar a ONU em função do seu entendimento sobre a validade ou não de um tratado internacional", disse Haddad, cobrando a validade da manifestação do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre os direitos políticos de Lula.

Dilema

Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar a candidatura de Lula, setores do PT e de partidos aliados, como o PCdoB, manifestaram preocupação com não colocar Haddad como candidato imediatamente e insistir na estratégia jurídica. 

Por outro lado, há um dilema que, abrindo mão dos últimos recursos na Justiça, haja a perda da credibilidade no discurso de que Lula é inocente. "Nunca pensamos nessa questão de cálculo eleitoral colocando de lado os valores que a gente acredita, sobretudo a liderança do Lula e a nossa completa convicção de que ele era a pessoa talhada para tirar o País da crise", afirmou o ex-prefeito.

Denúncia

Denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, Haddad afirmou que a instituição está "se deixando usar eleitoralmente" nos casos dele e do candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. O tucano foi acusado pela promotoria com uma ação de improbidade administrativa. O petista, por sua vez, foi denunciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

"O Ministério Público é importante demais para ter esse tipo de postura, se deixar usar eleitoralmente, para um lado e para o outro", disse Haddad, ao citar seu caso e o de Alckmin. Em relação à denúncia por ter pedido R$ 2,6 milhões à construtora UTC Engenharia para pagamento de dívidas de campanha, Haddad classificou a ação como "vingança de um empresário", em relação ao ex-presidente da empresa Ricardo Pessoa.

Campanha nas ruas  

O ex-prefeito condicionou uma definição sobre a candidatura do partido à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à situação do ex-presidente. Ele caminhou por ruas com lojas e padarias no centro da cidade, tomou café puro e não quis comer no local. Ao cumprimentar eleitores, era saudado como candidato. "Meu presidente, meu voto é seu", disse um deles, para quem Haddad respondeu: "Estamos juntos."

Perguntado por jornalistas sobre a definição da candidatura, Haddad apontou para o STF. "Vamos aguardar o Supremo. A última palavra é do Supremo", respondeu. Quando conversou com lojistas, pediu votos no número da legenda na urna e fez críticas ao governo do presidente Michel Temer. "Como está o movimento? Fraco, né? Isso aqui antes era cheio. É essa reforma trabalhista aí", disse ao vendedor de uma loja de calçados.

Falando "prazer" ao cumprimentar pessoas, quis testar o nível de conhecimento ao seu nome. "Você me conhece de onde? Quando me viu na TV?", perguntou a uma eleitora que pediu uma foto. "Dia 7 a gente resolve essa parada", disse a um vendedor que reclamou das vendas em baixa.

Ao discursar com carro de som em uma praça, chamou os apoiadores a se mobilizarem. "Temos 30 dias para virar o jogo e voltar a ser feliz de novo." Haddad almoçou com apoiadores do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, e foi à portaria da fábrica da Volkswagen à tarde para, debaixo de uma chuva fraca, cumprimentar metalúrgicos. "Estamos aqui para anunciar nossa disposição de ganhar a eleição e retomar o País", declarou Haddad no discurso.

Após nove horas de atividade, o ex-prefeito cancelou uma entrevista coletiva que concederia a jornalistas e a presença em um evento da campanha do candidato do PT ao governo de São Paulo, Luiz Marinho. 

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