Haddad diz que divulgar 'boato falso' não combina com PSDB

Candidato petista minimizou efeito de ataques; jornal sindical fez campanha anti-PSDB

Felipe Frazão - O Estado de S. Paulo,

27 de outubro de 2012 | 11h37

Um dia depois de trocar acusações e protagonizar uma guerrilha eleitoral de panfletos difamatórios com o candidato do PSDB à Prefeitura, José Serra, o candidato do PT, Fernando Haddad, baixou o tom das críticas neste sábado, 27, e disse que as atitudes não combinam com o partido tucano. Haddad minimizou o efeito da distribuição do material e da divulgação na internet de sites com ataques a suas propostas e boatos sobre o cancelamento do Enem às vésperas da votação.

"Um ato da campanha do adversário. Não precisava disso. Fazer boato falso não combina com o PSDB, não combina com ninguém", disse Haddad. "Me desagradou muito. Partiu do coordenador das redes sociais do Serra uma campanha difamatória contra um exame tão importante."

Questionado se as informações falsas poderiam prejudicar sua votação, o petista avaliou que, se houver impacto eleitoral com o boato do Enem, será "desfavorável" a Serra, porque o autor seria vinculado ao tucano.

"Não chegou a criar ( pânico nos eleitores). Lidar com o sentimento de uma juventude que está se preparando, com esperança de fazer uma faculdade. Não se faz esse tipo de coisa. Não vale a pena usar esse expediente para ganhar um voto a mais."

Em meio a uma onda de assassinatos na região da Grande São Paulo, um jornal do comitê de sindicalistas da campanha de Haddad, distribuído ontem, também afirmava que "o crime organizado se alastrará em São Paulo" se Serra for eleito. Foram rodadas mais de 100 mil cópias do impresso, que também pregava um aumento na quantidade "assaltos, furtos de carros, arrastões, explosões de caixas eletrônicos, chacinas e mendigos nas ruas".

O jornal tinha o CNPJ da campanha do PT. A coordenação, no entanto, disse que o Comitê de Sindicalistas o editou de forma independente. A direção dos sindicalistas disse que custeou a produção com doações que serão contabilizadas na prestação de contas de Haddad.

O candidato do PT se negou a comentar o caso. "Eu confesso que não passou por mim esse material. Eu sequer consegui ler. Não vi. Ontem fiquei me preparando para o debate. Não posso comentar sobre ele", alegou.

O jornal também ligava Serra a denúncias de corrupção em gestões tucanas e na administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

Telemarketing. Haddad pediu que a Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral apurem a informação revelada pelo Estado de que o comitê de Serra usa um cadastro telefônico da Prefeitura para convencer pessoas beneficiadas pelo Programa Clube Escola, da Secretaria de Esportes, a não votar em Haddad. Telefonistas foram flagrados afirmando que Haddad acabaria com parcerias. A pasta negou ter conhecimento do caso ou fornecido lista ao comitê de Serra. "Certamente as autoridades competentes vão ter que apurar", disse Haddad.

Otimista, Haddad já falava pela manhã em "festa da democracia". O petista fez carreta, de pé em um fusca preto conversível ao lado o candidato derrotado Gabriel Chalita (PMDB), em Interlagos e Cidade Dutra, bairros da zona sul.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.