DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO/DIVULGAÇÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO/DIVULGAÇÃO

Haddad diz que decisão sobre candidatura de Lula deveria ser tomada somente em setembro

Candidato a vice e possível substituto do ex-presidente nas eleições 2018, o ex-prefeito preferiu não comentar o procedimento que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode adotar para julgar o caso

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2018 | 20h58

Candidato a vice e possível substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso na Operação Lava Jato – nas eleições 2018, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) acredita que a Justiça Eleitoral deve tomar uma decisão sobre o registro da candidatura de Lula por volta de 10 de setembro.

"Pela jurisprudência, essa decisão deveria ser tomada lá pelo dia 10 de setembro", disse Haddad durante sabatina promovida pelo portal Catraca Livre e pela Casa do Baixo Augusta, em São Paulo, nesta segunda-feira, 13.

Ele não quis, no entanto, comentar o procedimento que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode adotar para julgar a candidatura do ex-presidente. O ministro Admar Gonzaga, um dos integrantes da Corte eleitoral, reiterou em despacho que a decisão sobre Lula pode ser tomada de ofício, ou seja, sem provocação do Ministério Público ou um adversário, ou após pedido de impugnação.

O PT registrará Lula como candidato e Haddad como vice na próxima quarta-feira, 15. Para marcar o registro, militantes farão um ato em Brasília. Na véspera, Haddad irá para a capital federal participar de atos públicos e acompanhar a "marcha" promovida por integrantes do Movimento Sem Terra (MST).

Participação em debate

Com Lula preso, Haddad afirmou ser possível ele próprio estar no debate entre candidatos à Presidência na sexta-feira, 17, realizado pela RedeTV!. Segundo o ex-prefeito, o partido negocia com o canal de televisão e a emissora não discordaria de ter Haddad como representante de Lula no programa.

Ele ainda cobrou que os demais candidatos defendam a presença do PT no debate, lembrando que fez isso quando era candidato à reeleição na capital paulista, em 2016, e defendeu a presença de Luiza Erundina (PSOL) nos programas. "Eu não estou cobrando uma atitude que eu mesmo não tenha tido."

Nesta segunda-feira, o candidato a vice classificou com "plantação de gente que não tem importância" o movimento de uma ala do PT que procurou diminuir sua exposição e barrar sua indicação como porta-voz de Lula nos debates. Isso fez com que Lula mandasse um recado que Haddad é a "voz" e a "pernas" do ex-presidente enquanto ele estiver preso.

"Se alguém for representar, se a pessoa for com um discurso reto sobre isso, é melhor para o Lula que alguém o represente", disse Haddad.

Sobre os comentários que poderia adotar o nome “Fernando Lula Haddad” na urna em outubro, o ex-prefeito disse que nunca pensou sobre isso e que espera nem precisar estar na chapa. A deputada gaúcha Manuela d’Ávila (PCdoB), que assistiu à sabatina na plateia, foi indicada para assumir a vice após a decisão judicial sobre Lula.

No domingo, 12, o diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, em entrevista ao Estado, relatou que o juiz federal Sérgio Moro “exigiu” que o mandato de prisão contra o ex-presidente Lula, em abril, fosse cumprido rapidamente após expedido. Comentado a declaração, Haddad disse que “as coisas estão sendo mal conduzidas” no processo que levou Lula à condenação e à prisão.

Haddad defende que apenas sindicalizado seja beneficiado com acordo coletivo

Fernando Haddad defendeu que, caso o imposto sindical continue extinto no País, apenas trabalhadores sindicalizados sejam beneficiados em acordos coletivos.

“Ou tem imposto sindical, ganha todo mundo, ou não tem imposto sindical e ganham só os sindicalizados”, afirmou o ex-prefeito da capital paulista. Para ele, dessa forma os trabalhadores seriam motivados a pagar anuidades para entidades sindicais em troca de ser beneficiados pelo trabalho dos sindicatos.

Haddad classificou ainda a reforma feita no governo do presidente Michel Temer como “fiasco”. O programa de governo do PT propõe revogar a medida e apresenta um referendo como instrumento para anular a reforma.

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