Gabriela Biló|Estadão
Gabriela Biló|Estadão

Haddad deve se licenciar do cargo para fazer campanha

Decisão atende a pedido do ex-presidente Lula, que cobrou publicamente dedicação do petista à disputa eleitoral

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2016 | 02h23

SÃO PAULO - Atendendo a um apelo público do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, candidato à reeleição, deve se licenciar da Prefeitura a partir da semana que vem para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral. O objetivo é intensificar as agendas de rua e vincular a ex-petista Marta Suplicy (PMDB) às medidas impopulares do governo Michel Temer para tentar reverter a má situação de Haddad nas pesquisas.

Ontem, em evento na quadra do Sindicato dos Bancários, Lula cobrou publicamente que Haddad se licencie da Prefeitura até o dia da eleição. “Eu estou enchendo o Haddad para que ele peça licença da Prefeitura, para que o (Gabriel) Chalita (candidato a vice) peça licença da secretaria (de Educação), e comecem a partir das seis horas da manhã a ir para estações do metrô. Porque na verdade quem é o carro-chefe da campanha é ele, quem é o candidato é ele, então ele tem a obrigação política de tentar mostrar que se ele não voltar o povo vai perder tudo o que foi feito nesta cidade”, disse Lula.

Nacional. O evento marcou o mergulho da campanha petista na pauta nacional. Alguns oradores pediram que Haddad vá ao protesto contra o governo Temer marcado para domingo, na Avenida Paulista. Um novo adesivo com a frase “Fora Temer Fica Haddad” foi distribuído e o próprio Lula vinculou as disputas municipal e nacional. “Se a gente está na rua fazendo passeata e gritando ‘Fora, Temer’, a gente não pode querer o Temer fora em Brasília e colocar alguém dele para ser prefeito aqui em São Paulo”, disse o ex-presidente.

No momento em que o PT aposta em uma frente com demais partidos de esquerda para enfrentar Temer, Lula fez um afago à candidata do PSOL, Luisa Erundina. “Se a gente for tentar fazer uma ligação entre a eleição em São Paulo e o que aconteceu a nível nacional, a gente vai perceber que só tem duas candidaturas que não têm nada a ver com o golpe dado na Dilma (Rousseff). É o Haddad e a Erundina”, afirmou. 

Vários oradores, inclusive o presidente do PT, Rui Falcão, defenderam a nacionalização do discurso de Haddad que, até a semana passada, preferia falar apenas em assuntos da cidade. “Esta questão (das reformas de Temer), a partir de agora, tem que ser incorporada na nossa campanha”, disse Falcão.

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