Haddad deve 25% de toda a dívida eleitoral da disputa de 2012

Contas de petista teve déficit de R$ 26 milhões; ao todo, campanhas encerraram pleito com rombo de R$ 97,5 milhões

O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 02h02

A dívida de campanha do prefeito eleito de São Paulo, o petista Fernando Haddad, equivale a 25% do rombo somado de todos os 900 candidatos do País que ficaram no vermelho após a disputa de 2012. O PT, que assumirá a dívida de Haddad, foi o partido mais deficitário: responderá por metade das contas pendentes. O saldo negativo total das campanhas é de R$ 97,5 milhões.

A campanha do prefeito eleito teve custo total de R$ 68 milhões, e foram arrecadados apenas R$ 42 milhões - diferença de R$ 26 milhões. Em segundo lugar no ranking dos endividados, depois de Haddad, aparece outro ex-candidato à Prefeitura de São Paulo: o peemedebista Gabriel Chalita, que ficou devendo quase R$ 10 milhões, ao arrecadar 11,7 milhões e gastar R$ 21,6 milhões. Já o tucano José Serra declarou à Justiça Eleitoral ter recebido R$ 33.574.236 e gastado R$ 33.574.236 - superávit de R$ 2.

Os dez maiores devedores respondem juntos por 63% da dívida nacional e, com isso, fazem o saldo de receitas e despesas da eleição ser deficitário. Apesar de 60% terem fechado as contas eleitorais no azul e outros 30% terem zerado as contas, um grupo de 5% de devedores gastou tanto que fez a conta geral ficar negativa em R$ 97,5 milhões.

Além de São Paulo, o PT comandou outras seis campanhas deficitárias na lista das dez que deixaram os maiores rombos: Nelson Pellegrino (Salvador), Durval Andrade (Contagem), Maria Salomão (Juiz de Fora), Elmano de Freitas (Fortaleza), Iriny Lopes (Vitória) e Vander Loubet (Campo Grande).

No total, candidatos petistas em todo o País arrecadaram R$ 55,6 milhões a menos do que precisavam para fechar as contas. A dívida somada do PT é quase cinco vezes maior do que a do segundo colocado no ranking dos partidos - o PMDB, com R$ 11,5 milhões no vermelho. O PSDB e o PSB acumularam endividamento de R$ 8,8 milhões e R$ 8,6 milhões, respectivamente. O PSD ficou com menos R$ 1,8 milhões.

Os partidos não são obrigados a assumir as dívidas dos candidatos, mas podem fazê-lo, desde que haja decisão neste sentido do diretório nacional. Caso as legendas não se responsabilizem pelo pagamento dos débitos, as contas dos candidatos podem ser rejeitadas pela Justiça Eleitoral - no caso dos eleitos, isso resulta até em perda do cargo.

Além de poder receber dinheiro dos partidos, os candidatos endividados podem continuar a arrecadar depois da campanha, segundo o juiz eleitoral Márlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. "A crença na vitória faz com que os candidato se arrisquem a gastar mais do que arrecadaram. Mas, se não forem eleitos, é muito mais difícil de obter mais doações", opina Reis . / A.R e D.B

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