Haddad critica 'silêncio absoluto' do TSE sobre suposta compra de mensagens de WhatsApp

Haddad critica 'silêncio absoluto' do TSE sobre suposta compra de mensagens de WhatsApp

Candidato do PT à Presidência ainda disse que 'não sabe exatamente com quem está disputando a eleição', referindo-se à ausência de Bolsonaro de debates

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2018 | 13h28

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, criticou na manhã desta sexta-feira, 19, o “silêncio absoluto” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a denúncia publicada na quinta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo de que empresas supostamente teriam comprado pacotes de disparos de milhões de mensagens via WhatsApp, de apoio ao candidato ao PSL, Jair Bolsonaro, e contra o PT.

“Estamos a 10 dias do segundo turno. Se a Justiça tomar providências, podemos ter menos desequilíbrio no segundo turno do que teve no primeiro”, afirmou. “O que aconteceu já é muito grave. Muitos parlamentares, uma parte do novo Congresso, foram eleitos com base nessa emissão de mensagens. Santinhos foram distribuídos em massa. É uma Justiça analógica para um crime digital”.

Ele lamentou ataques feitos por eleitores de Bolsonaro à jornalista autora da reportagem. “Meu adversário não convive bem com jornalismo livre. Nós nem temos jornalismo livre”, declarou, criticando a concentração dos veículos de comunicação.

Haddad também fez críticas à elite brasileira (que em parte apoia Bolsonaro). “Trata-se de um momento difícil porque a elite, que durante dois anos procurava o seu (Emmanuel) Macron (presidente da França), nos entregou Jair Bolsonaro, tamanha desproporção que existe entre um estadista, do qual você pode divergir, e uma pessoa que figura entre os piores parlamentares da história republicana”.

Sobre a afirmação de Bolsonaro de que ele já está “com a mão na faixa presidencial”, Haddad classificou de “arrogância de quem é inexperiente”. 

Debates

Além disso, Haddad disse que não sabe "exatamente contra quem está disputando a eleição presidencial", referindo-se a ausência de Bolsonaro em debates em que poderiam ser discutidos projetos para o País. Haddad comentou pesquisas e afirmou que sua virada é possível, apesar de estar 18 pontos atrás de Bolsonaro: "Não é tão difícil assim para quem estava com quatro pontos há um mês".

"Não é possível a ele participar de um debate para tratar de assuntos tão caros à nacionalidade, se comprometer ou não com questões objetivas, como a PEC do teto de gastos e a reforma trabalhista? Quando perguntado, em sabatinas e entrevistas, delega ao Paulo Guedes, que também não responde. A todo momento, ele próprio é desmentido pelo candidato, não se sabe a quem perguntar. Não sei exatamente contra quem eu estou disputando a eleição presidencial", afirmou o petista, que chamou Bolsonaro de "covarde".

Haddad falou a uma plateia de apoiadores no Clube de Engenharia, no Rio, num ato convocado pela Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes), pela Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet) e outras instituições.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.