Haddad cita 'abandono' e Serra pede nova chance

Candidato petista explora saída de tucano do cargo para disputar governo do Estado

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h05

No primeiro dia em que os candidatos a prefeito apareceram no horário eleitoral na TV, o petista Fernando Haddad repetiu por duas vezes que São Paulo cansou de "prefeitos de meio mandato", em referência ao fato de seu adversário, José Serra (PSDB), ter renunciado à Prefeitura para disputar o governo estadual em 2006. No rádio, coube ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticar indiretamente o tucano pelo mesmo motivo. Serra, por sua vez, usou boa parte do tempo para defender seu legado e explicar por que decidiu concorrer à eleição.

"São Paulo não quer mais prefeitos de meio mandato, nem de meio expediente", afirmou Haddad num primeiro momento. Trecho do discurso de lançamento da campanha de Haddad, quando ele usou a mesma expressão, também foi reproduzido na propaganda.

No programa de ontem à tarde, o candidato caminhou por diversos pontos da cidade, do centro à periferia. Em uma das sequências Haddad está em uma casa com eletrodomésticos recém-comprados - uma alusão à nova classe C - e sai numa rua sem calçamento, com aspecto de abandono. Enquanto isso, o petista afirma que a vida do cidadão paulistano melhorou dentro de suas casas, por causa dos governos Lula e Dilma, mas, da porta para fora, os problemas continuam.

Mais cedo, no rádio, Lula afirmou, sem citar nomes, que havia na disputa um "prefeito que não gosta de cumprir o mandato". "Não sei por que quer ser prefeito de novo", provocou.

Já o candidato tucano, além de mostrar o currículo e as realizações como prefeito e governador, usou mais de 15% dos 7min39s a que tem direito para explicar aos eleitores por que havia decidido concorrer novamente à Prefeitura. "Eu quero começar esta campanha explicando a você a minha decisão de ser candidato a prefeito. Eu tenho uma dívida de gratidão com os paulistanos e tenho também uma identificação muito forte com a nossa cidade. Ela (São Paulo) avançou muito, mas tem que avançar mais. Tem muita coisa para fazer. E eu quero ser prefeito para comandar esse novo ciclo de desenvolvimento", afirmou.

Kassab. Apesar de não adotar um discurso de continuidade, Serra não escondeu a ligação com o prefeito Gilberto Kassab (PSD), cuja administração tem sido mal avaliada. "Quando fui prefeito e o (Geraldo) Alckmin, governador, nós fizemos muitos projetos conjuntos. Depois, eu virei governador e ajudei bastante o prefeito Kassab", disse. Na TV, Kassab apareceu por menos de três segundos, abraçando Serra.

Em contraposição a Haddad, que se apresentou como "o homem novo para um tempo novo", o narrador do programa tucano destacou que, para ser um bom prefeito, o importante não é ser novo, e sim ter ideias novas. Serra, que aos 70 anos é o candidato mais velho na disputa pela Prefeitura, reforçou a fala do locutor: "Eu me sinto preparado, estou no auge da experiência, e tenho vontade, vigor, garra, para fazer uma administração inovadora, que acelere nas soluções e resolva os problemas de vez".

Questionado sobre o fato de ter sido criticado por Haddad e Lula, o tucano disse não se importar. "Isso mostra que eles não têm o que falar mal a meu respeito. Eles não têm o que falar e aí vão procurar algum pontinho para poder criticar. Só isso." / COLABORARAM BRUNO BOGHOSSIAN, DAIENE CARDOSO e GUILHERME WALTENBERG

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