Haddad chama proposta de Serra de ‘cópia malfeita’; tucano vê ‘inveja’

Debate sobre o transporte de ônibus, um dos principais problemas de São Paulo e um dos pontos fracos da gestão Kassab, volta à pauta dos candidatos na reta final do 2º turno

Felipe Frazão, Isadora Peron e Ricardo Chapola, de O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2012 | 00h05

O debate sobre transporte público em São Paulo voltou à cena nestes últimas dias de campanha após o candidato do PSDB, José Serra, lançar na quarta-feira a proposta de ampliar os benefícios do Bilhete Único. A ideia do tucano foi chamada na quinta-feira, 25, pelo adversário Fernando Haddad (PT) de "uma cópia malfeita" do seu projeto de criar o Bilhete Único Mensal. Já Serra diz que o petista tem "inveja" de seu plano.

O projeto do tucano - que não constava do seu plano de governo lançado dez dias atrás - prevê ampliar o Bilhete Único de três para seis horas de duração e aumentar o benefício do Bilhete Amigão, que valerá das 14h do sábado até a noite de domingo. O custo da medida para a Prefeitura é avaliado em R$ 500 milhões por ano.

Já no projeto petista, que está em seu plano de governo lançado em 13 de agosto, o paulistano pagaria R$ 140 por mês para viajar quantas vezes quisesse de ônibus. O custo seria de R$ 400 milhões anuais.

"É um remendo da minha proposta, que é muito mais generosa porque (o bilhete) é mensal ou semanal", afirmou Haddad. "É típico de quem não planejou a campanha", disse o candidato.

O tucano afirma que a duplicação do tempo do Bilhete Único foi um plano elaborado por ele próprio. "Eu não tirei (a ideia) da manga, eu tirei da minha cabeça", disse, ressaltando que só a lançou poucos dias antes das eleições porque levou muito tempo para consolidá-la.

1º turno. Até agora pouco exploradas no 2.º turno, as propostas para o sistema do bilhete único na cidade foram o tema central da reta final do 1.º turno.

A proposta de cobrar passagem por quilômetro rodado, vista com ressalva pela população da periferia, fez o candidato Celso Russomanno (PRB) perder apoio. Os adversários - Haddad à frente - bateram na tecla de que os mais pobres pagariam mais por morarem mais longe.

Ainda no 1.º turno, Serra dirigiu suas críticas ao Bilhete Único Mensal de Haddad. Entre outras acusações, chamou o projeto de "bilhete mensaleiro" - referência ao julgamento do mensalão - e disse que a proposta seria uma espécie de "nova taxa" do PT.

Na quinta-feira, ele voltou a criticar a proposta. "É fajuta e furada. Ele fez uma proposta que até hoje nem ele entende direito", disse Serra na zona sul. No rádio, durante o horário eleitoral, afirmou que a proposta de Haddad engloba só ônibus e que, se fosse incluir metrô e trem, o preço da tarifa teria quase que dobrar.

Em resposta a Serra, o candidato do PT disse na quinta que vai tentar negociar com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) a integração com o metrô e com os trens da CPTM. "Ele não é o governador para dizer que não integra. Assim como foi integrado o bilhete da Marta (Suplicy), nós vamos integrar o nosso."

A melhora do sistema público de transportes da capital é uma das principais reivindicações do paulistano. A gestão do atual prefeito Gilberto Kassab (PSD) é criticada por não entregar os 66 quilômetros de corredores de ônibus prometidos no plano de metas.

Estratégia. A campanha de Serra prepara uma força-tarefa para reforçar a divulgação da proposta de ampliação do Bilhete Único. Os tucanos já começaram a apresentar o projeto na TV e vão imprimir milhares de panfletos que serão distribuídos. A equipe do PSDB também incluiu o tema em sua campanha de telemarketing, que vai disparar 1 milhão de panfletos até domingo.

O PSDB pretende manter o debate sobre as parcerias entre entidades privadas e a rede de saúde. Cabos eleitorais da campanha tucana passaram a entregar, nas portas de hospitais e de unidades de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA), panfletos que acusam o PT de querer encerrar os contratos com organizações sociais.

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