Haddad busca aval de Lula para coordenação

Ala majoritária do PT quer Berzoini de coordenador, mas caso dos aloprados pode pesar; ex-presidente vai arbitrar sobre equipe

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2012 | 03h01

Pressionado a definir com rapidez a coordenação de sua campanha como forma de reagir ao embate entre setores do partido que divergem sobre as estratégias eleitorais, o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, aguarda a melhora da saúde do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele possa arbitrar sobre os nomes que integrarão o núcleo duro da equipe.

A corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária do PT em âmbito nacional, pressiona para assumir a coordenação da campanha e já apresentou a Haddad o nome do deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) para a coordenação geral. O nome de Berzoini é bem visto por vários segmentos, inclusive pelo presidente do diretório municipal, Antonio Donato, que teria de dividir com ele a direção da campanha. "É um quadro muito bem-vindo", afirma ele.

Berzoini só assumirá a coordenação da campanha de Haddad se tiver o aval de Lula. Nos bastidores, petistas admitem que o ex-presidente tem restrições ao deputado desde a campanha à reeleição, em 2006. Berzoini teve seu nome envolvido no escândalo dos aloprados e teve de se afastar da coordenação da campanha. À época, presidia o PT.

Internado em um hospital desde o último final de semana para ser tratado de uma pneumonia, Lula apresenta dores de garganta e tem dificuldades para falar e se alimentar. Não recebe visitas nem atende telefonemas para poupar a voz. Por causa do quadro, Haddad disse a interlocutores que não vai incomodar o ex-presidente e aguardará um sinal para que possam conversar.

Ciente de que depende do cacife político de seu mentor, o ex-ministro da Educação não quer definir os postos-chave de sua campanha, como a coordenação geral e a tesouraria, sem ser referendado pelo ex-presidente, que continua sendo visto por diversos setores do partido como o único capaz de enquadrar os segmentos que disputam o comando da candidatura.

Tesouraria. Incomodado com as especulações sobre a atuação do ex-ministro Antonio Palocci nos bastidores da campanha de Haddad como arrecadador informal, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, pediu ontem ao pré-candidato, em conversa telefônica, que deixasse de considerá-lo como coordenador de finanças.

Emídio vinha sendo sondado por petistas nos últimos dias sobre a possibilidade de ser o tesoureiro da campanha, indicação que interessava ao prefeito, à CNB e a Haddad, que procura para o cargo alguém que seja da extrema confiança do partido e que tenha experiência no manejo das finanças, de preferência um prefeito ou ex-prefeito.

Com a recusa de Emídio, três nomes cogitados para a tesouraria de Haddad naufragaram. Os outros dois foram os deputados José de Filippi, que também recusou o cargo, e o deputado Newton Lima, que foi vetado.

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