Márcio Fernandes/AE
Márcio Fernandes/AE

Haddad ataca Russomanno e Serra após caminhada pelo centro de São Paulo

Candidato petista diz que adversários desqualificam suas propostas por não terem projeto de governo

Daiene Cardoso, da Agência Estado

10 de setembro de 2012 | 15h54

Após caminhada com mulheres do PT pelas ruas do centro de São Paulo, o candidato do partido à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, mirou suas críticas aos líderes das pesquisas de intenção de votos Celso Russomanno (PRB) e o tucano José Serra. Para o petista, seus adversários tentam desqualificar suas propostas, como o arco do futuro e o bilhete único mensal, porque não têm projeto para a cidade. "Os outros candidatos não fazem propostas. Ficam criticando a nossa", reclamou.

Ao término da caminhada que começou na Praça Ramos de Azevedo, seguiu pela rua Barão de Itapetininga e terminou na Praça da República, Haddad criticou a postura ofensiva de seus principais adversários. "Um não tem proposta, fica na TV dizendo ''muito obrigado, muito obrigado e muito obrigado''. O outro tem proposta, sabe qual é? Continuar uma administração reprovada por 80% da população", afirmou.

Sobre Russomanno, Haddad criticou o candidato por desconhecer as finanças do município ao alegar que não sabia se a proposta do bilhete único mensal era viável ou não. "Vai aprender primeiro e depois se candidata a prefeito", alfinetou. "Quem quer que queira governar São Paulo precisa apresentar um projeto para a cidade", disse o candidato em coletiva de imprensa. De acordo com ele, até o momento, Russomanno não apresentou propostas para a cidade. "Não tomei conhecimento sobre projeto (de Russomanno) e os poucos balões de ensaio soltados por ele não têm consistência", disse o petista.

Ao citar os problemas na área de saúde, Haddad disse que a questão "é muito mais complexa" do que simplesmente dar aumento de salário para os profissionais da categoria. "Medidas cosméticas não vão resolver os problemas estruturais da cidade", avaliou. Sobre a inclusão de vigias noturnos no sistema de segurança da cidade, Haddad também classificou a ideia de "balão de ensaio" sem consistência. "A maioria dos bairros não tem vigia noturno. Então eles vão ficar desguarnecidos? Não faz muito sentido, são palpites, são balões de ensaio que não tem consistência", disse.

Família Suplicy. Haddad foi acompanhado durante a campanha por líderes do PT, como o senador Eduardo Suplicy, o presidente nacional da sigla, Rui Falcão, e ainda contou com o apoio da mãe do senador, Filomena Matarazzo, que esteve na concentração da caminhada. No entanto, o destaque do evento de campanha foi a presença da senadora Marta Suplicy, que aproveitou para disparar contra José Serra. Para Marta, que se disse "escolada" com as estratégias do tucano José Serra, a reação do PSDB contra as propostas de Haddad não passam de uma tentativa de desqualificar o programa de Haddad. "Essa proposta é maravilhosa (do bilhete único mensal). Se não for integrada, é porque ele (Serra) e o Alckmin não querem integrar." Ainda de acordo com Marta, o tucano não tem propostas para a cidade e é "o rei do embromation".

FHC. O candidato do PT revelou que se preocupa mais com as tentativas de desqualificação de suas propostas do que com o uso do mensalão pelos tucanos. "Isso me aflige muito mais porque é usar a boa fé das pessoas para confundir o eleitorado tentando obter dividendos eleitorais", classificou. "Faça uma proposta melhor, mas querer diminuir um direito do trabalhador da França, da Inglaterra, isso para mim depõe mais contra a democracia do que o debate sobre os temas que ele está colocando", afirmou o candidato, se referindo diretamente ao uso pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso do tema mensalão no horário eleitoral na TV.

O petista se disse pronto para discutir as questões de ética levantadas pelos seus adversários, uma vez que a sua biografia "está aberta a todos os eleitores". "Não tenho nenhum problema em discutir ética, muito pelo contrário, tenho todo o interesse que essa questão seja colocada", disse. Para o candidato, a presença de FHC na propaganda tucana é tão natural quanto a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha petista. Perguntado pelos jornalistas se a presença de FHC poderia se reverter em votos para Serra e se ele acredita que o eleitorado se recorda de FHC, Haddad respondeu: "espero que as aulas de história estejam sendo administradas em todas as escolas".

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