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Haddad ataca Kassab e poupa críticas a adversários na disputa pela Prefeitura de SP

Ele participou de uma sabatina realizada pelo Portal UOL, o jornal Folha de S. Paulo e o SBT; candidato atribuiu baixa popularidade a 'debates nacionais' e 'falta de oportunidade de se comunicar'

Gustavo Porto, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2016 | 11h23

RIBEIRÃO PRETO - O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), escolheu o ministro de Ciência e Tecnologia e Comunicações, seu antecessor no cargo, Gilberto Kassab (PSD), como o alvo das críticas feitas durante sabatina realizada na manhã desta terça-feira, 26, pelo Portal UOL, o jornal Folha de S. Paulo e o SBT. Haddad poupou os principais adversários na campanha à reeleição, foi brando ao citar Marta Suplicy (PMDB) e João Doria (PSDB), e sequer falou os nomes de Celso Russomanno (PRB) e de Luiza Erundina (PSOL).

Logo no início, ao atribuir a baixa popularidade na administração e nas pesquisas eleitorais, Haddad afirmou que os motivos foram o fato de o debate político do País ter se nacionalizado nos últimos quatro anos e ainda porque não teve oportunidade de se comunicar, já que direcionou parte da verba de publicidade para investimentos na cidade. "O Kassab gastou quase R$ 1 bilhão com publicidade e no meu mandato vou cortar quase 50%, com a economia de R$ 400 milhões", disse Haddad. "Kassab prometeu três hospitais e não comprou um terreno; eu prometi três, entreguei um, outro está na metade e outro em obras. Tenho déficit de comunicação porque tomei decisão de economizar R$ 400 milhões em publicidade".

Haddad voltou a criticar Kassab ao justificar a falta de cumprimento da totalidade das promessas de campanha e chamou de "comportamento binário" a avaliação de que cumprir parcialmente propostas seja descumprimento total delas. "Uma pessoa que prometeu três hospitais e não comprou terrenos e uma pessoa que prometeu três, entregou um, outro está no meio, e um em obras não são a mesma pessoa. Eu não sou binário nas metas, porque se fosse binário o governo do Estado não cumpriu nada em 22 anos. É jogar na vala comum gestores que foram atrás das metas e gestores que fizeram demagogia".

Irresponsabilidade. Kassab voltou a ser alvo de Haddad quando o prefeito admitiu que não assinará, no final do mandato, o contrato de concessão do sistema de transporte público na capital paulista, cuja autorização atrasou por conta do Tribunal de Contas do Município (TCM). Haddad disse que assinará o contrato caso seja reeleito, ou deixará a medida pronta para seu sucessor ou sucessora tomar. "Seria irresponsabilidade de minha parte assinar contrato de concessão de 20 anos a dois meses do fim da gestão. Kassab assinou R$ 4 bilhões em contatos entre o primeiro e o segundo turno", disse. "Eleito, eu toco o edital e, não eleito, alguém toca", disse.

Mesmo sem citar o nome de Kassab, Haddad afirmou que o déficit de moradias na cidade ocorre por conta da suspensão das contratações do programa Minha Casa Minha Vida desde que a presidente afastada Dilma Rousseff (PT) foi reeleita, em 2014. O prefeito afirmou que a cidade tem capacidade de produzir mais de 55 mil moradias, já contratou 32 mil e tem terreno comprado para as restantes, "mas não podemos ampliar, porque Minha Casa Minha Vida está há dois anos com contratações suspensas", disse. Na maior parte do período citado por Haddad, Kassab era ministro das Cidades e responsável pelo programa habitacional. "Isso acontece por muitos erros, inclusive o da presidente Dilma, que após a eleição suspendeu as contratações e continuam suspensas", afirmou.

Até quando falou sobre Marta e o apoio recebido por ela de Andrea Matarazzo (PSD), Haddad seguiu com as críticas a Kassab, que controla o PSD. "Marta está recebendo o apoio do Kassab e do (José) Serra (PSDB) também, e quem tem de dar explicação do apoio é quem dá o apoio. Mais do que o Kassab falou da Marta é impossível", disse. A ex-prefeita e atual adversária ainda foi citada por Haddad quando ele rebateu a proposta dela e de Doria de reverter a redução do limite de velocidade máxima nas marginais do Tietê e de Pinheiros, de 90 km/h para 70 km/h nas pistas expressas, e de 70 km/h para 50 km/h nas locais, medida tomada na gestão do petista.

"Há certo desconhecimento do Doria e da Marta em querer voltar", afirmou Haddad. Ainda sobre Doria, Haddad citou a mudança de opinião do tucano sobre o fechamento da avenida Paulista para veículos aos domingos e ironizou a proposta de concessão de faixas de ônibus ou a retirada da prioridade dada ao transporte coletivo. "Ele teve humildade de ir à Paulista e reverter. Quem sabe ele tomando um ônibus, reveja a ideia de tirar (as faixas)", completou Haddad, contrapondo ainda a ideia de Doria de conceder ou privatizar bens públicos. "Não vou vender (autódromo de) Interlagos, (o complexo do) Anhembi e nem o (complexo do) Pacaembu, porque temos de manter estoques de terras. João vê a cidade como empresa e não como local de convivência das pessoas", concluiu.

Lava Jato. O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), classificou sua administração à frente da cidade como "proba" e rebateu qualquer comparação do seu mandato com as denúncias envolvendo o PT na Operação Lava Jato. "Tira minha administração dessa conversa, porque é administração mais proba... Até meus adversários reconhecem a probidade. Então não vamos misturar", disse Haddad durante sabatina realizada pelo portal UOL, o jornal Folha de S. Paulo e o SBT ao ser questionado sobre o escândalo envolvendo os governos da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Haddad admitiu que o maior erro do PT no governo federal foi não ter feito a reforma política para acabar com o financiamento empresarial de campanhas - proibido somente após avaliação da Justiça - e ainda pelo fim das coligações proporcionais nas eleições. "O PT tinha de ter tido coragem de ter feito a reforma política proibindo o financiamento empresarial e as coligações proporcionais. Partidos são corretores de tempo de TV e apenas três ou quatro têm bandeira. Isso é uma vergonha", disse. "O mal original está no sistema que empurra para a ilegalidade".

Para explicar a fisiologia política, Haddad disse que em São Paulo é fácil construir uma maioria na Câmara Municipal por conta da pressão popular e pelo número menor de parlamentares, ao contrário de Brasília. "Aqui são 55 vereadores (...) e é possível aprovar propostas com a força popular. Lá, com 513 deputados e 81 senadores, que força você vai reunir? O maior erro do PT foi não ter feito a reforma política e ela (Dilma) foi vítima disso também".

O prefeito rebateu ainda as denúncias de que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria viabilizado a injeção de recursos de caixa 2 na campanha à eleição em 2012 e ainda o possível uso de dinheiro não contabilizado por meio do marqueteiro João Santana, preso na Lava Jato. "Na minha campanha quem responde sou eu e o meu tesoureiro. E você não vai encontrar ninguém que fale sobre nada além da legislação", disse sobre as denúncias. "Eu tive cuidado de assinar o contrato com o João (Santana) e checar o que tinha no mercado, em sintonia plena com a do (José) Serra (derrotado por Haddad em 2012) para evitar ilações e suspeitas, até porque em 2012 estava no auge do mensalão", completou. 

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