Haddad anuncia Erundina como vice sob a 'sombra' de aliança com Maluf

No mesmo dia em que o PT acertou apoio do PP de Paulo Maluf na campanha pela Prefeitura de São Paulo, a deputada e ex-prefeita Luiza Erundina (PSB) foi lançada pré-candidata a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo ex-ministro Fernando Haddad (PT).

FERNANDO GALLO , JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h00

Em anúncio feito ontem, Erundina criticou os meios de comunicação e o que chamou de "Estado burguês", defendeu o socialismo e disse que vai se esforçar para levar a senadora Marta Suplicy (PT) para a campanha de Haddad. Questionada se faria campanha com Maluf, que já foi o seu maior adversário político, afirmou: "Vou fazer campanha com o povo, nas favelas e nos cortiços". Depois completou: "Eu derrotei o Maluf", numa referência à disputa municipal de 1988.

O apoio do PP, que estava prestes a anunciar aliança com o PSDB, de José Serra, dará à chapa petista mais 1 minuto e 35 segundos em cada um dos dois blocos da propaganda eleitoral gratuita. Com isso, Haddad terá a maior exposição no palanque eletrônico, com 7 minutos e 39 segundos - vantagem de 1 minuto em relação a José Serra.

Nas inserções de 30 segundos distribuídas ao longo da programação das emissoras - modo de exposição que os marqueteiros consideram mais eficaz -, o petista aparecerá 107 vezes por semana em cada canal. Já Serra, que seria o líder no ranking da exposição caso conquistasse o apoio do ex-prefeito e hoje deputado Paulo Maluf, terá direito a 93 inserções no mesmo período.

Indagada sobre o PP, Erundina não polemizou. "É uma questão que os dirigentes partidários têm que avaliar, não passa por mim", disse. "A gente quer pessoas que afirmem seu compromisso com o nosso projeto."

Passos. Petistas evitaram comentar o acerto feito com Maluf e costurado por deputados e pelo ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades). Queriam impedir que a indicação de Erundina perdesse o "brilho". "Demos um passo para frente e um passo para trás", comentou, reservadamente, um líder do PT sobre as alianças com Erundina e Maluf.

Após ser convidada para ingressar na chapa de Haddad, Erundina foi consultada sobre o acordo com o PP. A ex-prefeita teria demonstrado contrariedade, mas não se opôs ao acerto. Segundo petistas, Maluf não aparecerá no palanque de Haddad.

Indagado sobre a aliança com o PP, o pré-candidato disse que desde janeiro busca o apoio dos partidos que compõem a base governista federal. O petista, no entanto, evitou citar Maluf: "Estou fazendo uma aliança com o Partido Progressista. Isso inclui o ministro das Cidades, que foi quem primeiro me procurou".

Unidade. O ex-presidente Lula, que costurou a aliança com o PSB, não foi ao evento porque se recupera de intervenção médica. No encontro, do qual participaram o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e todos os líderes do PT no Estado, menos Marta, houve a tentativa de demonstrar unidade em torno de Erundina, que rompeu com o PT em 1997. A relação se deteriorou após embate com petistas na sua gestão na Prefeitura (1989-1992) e se agravou com a ida dela para o governo de Itamar Franco (1992-1994) em 1993.

Ontem, Erundina disse não ter trocado de lado, ao se referir à sua relação com o PT. A pré-candidata se disse emocionada - Haddad também ficou com os olhos marejados no anúncio - e chamou o PT de "partido irmão". "Eu mudei para outra casa, na mesma rua, para mudar a rua, mas nunca mudei de lado."

Erundina disse também que pretende procurar Marta, com quem mantém uma relação distante. Preterida na escolha de Lula para representar o PT na eleição, a senadora resiste a entrar na campanha de Haddad. " Já pedi autorização do PT e vou conversar com ela. Eu preciso dela, o Haddad precisa dela, a cidade precisa dela", afirmou Erundina.

A ex-prefeita disse ser a favor da democratização dos meios de comunicação. "Países como a Argentina já avançaram significativamente no enfrentamento aos poderosos da mídia, que, ao terem a concessão de um serviço público, se apropriam dele e o usam muitas vezes contra o interesse da sociedade", afirmou.

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